Mundo

Cuba diz que forças armadas se preparam para possível agressão militar dos EUA

Vice-ministro das Relações Exteriores afirma que Havana não considera uma ação militar provável, mas diz que o país seria ingênuo se não se preparasse; governo também defende diálogo com Washington

Cuba atravessa nova escalada de tensão diplomática em meio à crise política e econômica no país

Cuba atravessa nova escalada de tensão diplomática em meio à crise política e econômica no país

Publicado em 22 de março de 2026 às 13h15.

Última atualização em 22 de março de 2026 às 13h16.

O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, afirmou neste domingo, 22, que as forças armadas do país estão se preparando para uma possível agressão militar dos Estados Unidos.

A declaração foi dada em entrevista ao programa Meet the Press, da emissora NBC News. Segundo o diplomata, as forças armadas cubanas estão sempre em prontidão, mas, neste momento, também se preparam para a hipótese de uma ação militar americana.

Fernández de Cossío disse que Cuba sempre esteve disposta a se mobilizar como um todo diante de uma agressão desse tipo. Ao mesmo tempo, afirmou que o governo considera esse cenário distante e pouco provável, embora veja como necessário manter a preparação.

O vice-ministro também declarou que Havana não enxerga nenhuma justificativa para uma ação militar em Cuba. Segundo ele, o país é pacífico e não representa ameaça aos Estados Unidos.

As tensões entre os dois países aumentaram após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no mês de janeiro. Na ocasião, o presidente Donald Trump e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmaram que Cuba poderia ser o próximo país a enfrentar uma intervenção militar.

Rubio chegou a declarar que, se estivesse em Havana e integrasse o governo cubano, estaria preocupado. Nesta semana, Trump afirmou que seria uma “honra tomar” Cuba e fazer com a ilha o que quisesse.

Em paralelo à escalada política, o bloqueio ao petróleo agravou a crise energética no país, elevando os apagões a níveis recordes e afetando amplamente o funcionamento do setor estatal, incluindo hospitais, transporte público, fábricas e repartições públicas.

Em janeiro, Trump assinou uma ordem executiva para impor tarifas a países que forneçam petróleo a Cuba, em uma tentativa de aprofundar a crise na ilha, já pressionada pela redução do envio de óleo venezuelano após a queda de Maduro.

Na entrevista, Fernández de Cossío classificou o cenário como grave e disse que o governo atua da forma mais proativa possível para enfrentar a situação. Também afirmou esperar que esse boicote não seja permanente.

Por fim, o vice-ministro reiterou que Cuba não tem conflito com os Estados Unidos. Segundo ele, o país tem o direito de se proteger, mas está disposto a sentar para dialogar. Também afirmou que Havana segue aberta a fazer negócios e a manter uma relação respeitosa com Washington.

  • *Com informações da Agência EFE
Acompanhe tudo sobre:CubaEstados Unidos (EUA)Donald Trump

Mais de Mundo

Trump diz que deve fechar acordo com o Irã e reabrir o Estreito de Ormuz na próxima semana

Navios cruzam o Estreito de Ormuz 'às escuras' sob coordenação dos EUA

Deputado da Flórida e filho de cubanos: a escolha de Trump para novo embaixador dos EUA no Brasil

Trump diz que Israel e Hezbollah concordaram em não se atacar mutuamente