Costa Rica: Laura Fernández discursa após vitória no primeiro turno em eleição marcada pelo debate sobre segurança pública (MARVIN RECINOS / AFP via Getty Images)
Repórter
Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 06h24.
A Costa Rica elegeu neste domingo, 1º, a candidata governista Laura Fernández como nova presidente do país em uma vitória no primeiro turno, impulsionada por uma campanha centrada no endurecimento do combate ao crime organizado e à violência ligada ao narcotráfico.
Com 81% das urnas apuradas, Fernández somava 49% dos votos, percentual suficiente para evitar um segundo turno e superar outros 19 candidatos. Seu principal adversário, Álvaro Ramos, obteve 33% e reconheceu a derrota. Fernández tomará posse em 8 de maio, para um mandato de quatro anos à frente do país centro-americano.
Além da vitória presidencial, o partido da nova presidente também caminha para uma posição dominante no Congresso, que tem 57 cadeiras e funciona em sistema unicameral.
“Meu futuro governo terá apenas um propósito: fortalecer o Estado de Direito”, afirmou Fernández em seu discurso de vitória.
A eleição ocorreu em um contexto de forte deterioração da segurança pública em um país historicamente visto como um dos mais estáveis da América Latina. Segundo a Bloomberg, Costa Rica tornou-se rota estratégica para o tráfico de cocaína, devido à sua localização e à infraestrutura portuária, usada para esconder drogas em cargas de frutas destinadas aos Estados Unidos e à Europa.
Em 2023, o número de homicídios no país de cerca de 5 milhões de habitantes atingiu o maior patamar já registrado, movimento que se manteve próximo do pico no último ano, à medida que facções rivais disputavam territórios. No mesmo período, o governo apreendeu 51 toneladas de cocaína, volume próximo de um recorde.
A escalada da violência transformou a segurança pública no principal tema da campanha, segundo eleitores ouvidos pela imprensa internacional.
Aos 39 anos, Fernández atuou como chefe de gabinete do atual presidente, Rodrigo Chaves, e construiu sua candidatura prometendo uma guinada dura na política de segurança. Entre as propostas estão penas mais longas para integrantes de gangues e a suspensão temporária de direitos constitucionais em áreas de alta criminalidade, para facilitar abordagens, buscas e prisões.
A presidente eleita também defende uma reforma do Judiciário, com limites de mandato para juízes, sob o argumento de que o sistema atual é leniente com criminosos.
Durante a campanha, Fernández afirmou que pretende “retirar esses criminosos de circulação e colocá-los onde pertencem: na prisão”.
O avanço da violência acendeu alertas no setor de turismo, um dos pilares da economia costarriquenha e responsável por empregar centenas de milhares de pessoas. Lideranças do setor afirmam que o aumento dos crimes ameaça a imagem do país como destino seguro.
As visitas de turistas estrangeiros ainda estão abaixo dos níveis pré-pandemia, segundo dados recentes, e empresários do setor apontam a segurança como fator decisivo para a recuperação.
Apesar do cenário de insegurança, a economia da Costa Rica apresenta indicadores positivos. Analistas ouvidos pela Bloomberg projetam crescimento de 3,6% em 2026, colocando o país entre os melhores desempenhos das Américas.
A inflação anual está negativa, o desemprego se aproxima do menor nível desde 2007, e a moeda local alcançou em janeiro seu maior valor em 20 anos frente ao dólar.
O atual presidente, Rodrigo Chaves, ex-economista do Banco Mundial, conduziu um programa de financiamento com o FMI, reduziu o déficit fiscal e diminuiu a dívida pública como proporção do PIB.
Fernández defende laços econômicos mais estreitos com os Estados Unidos, rejeita a criação de novos impostos e afirma que pretende “enxugar” o Estado. Entre as propostas está a venda de dois bancos estatais.
Na área de segurança, prometeu maior cooperação com a DEA e o FBI no combate ao narcotráfico. No ano passado, encontrou-se com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para discutir estratégias conjuntas contra o tráfico de drogas.
Embora Chaves não pudesse disputar a reeleição, Fernández chegou a cogitar a possibilidade de nomeá-lo novamente como chefe de gabinete em seu governo.