Mundo

COP30: Trump chama estrada construída em Belém de 'grande escândalo'

Presidente dos Estados Unidos usou sua rede social e compartilhou reportagem de veículo internacional para se manifestar sobre a COP

Trump: presidente dos EUA criticou construção de estrada em Belém (ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP Photo)

Trump: presidente dos EUA criticou construção de estrada em Belém (ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP Photo)

Luciano Pádua
Luciano Pádua

Editor de Macroeconomia

Publicado em 9 de novembro de 2025 às 13h57.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou neste domingo, 9, a construção de uma estrada em Belém, no Pará, em referência à Avenida da Liberdade, obra de 13 quilômetros que corta áreas de floresta e comunidades locais e já havia sido alvo de controvérsia.

Em post em sua rede social, a Truth Social, Trump classificou a obra como um "grande escândalo". O presidente dos EUA, que retirou o país do Acordo de Paris, é a mais notável ausência no encontro climático.

LEIA MAIS: Geopolítica da COP30: Brasil e Europa mais próximos — e EUA distante

"Eles devastaram completamente a Floresta Amazônica no Brasil para construir uma rodovia de quatro faixas para ambientalistas circularem. Virou um grande escândalo!", escreveu o presidente dos EUA.

No post, ele cita uma reportagem da Fox News que alega que 100.000 árvores foram derrubadas para construir uma estrada na região.

Anunciado em 2020, o projeto da Avenidade da Liberdade ganhou ritmo após a confirmação de Belém como sede da conferência climática mundial e se tornou alvo de controvérsia.

Em março, a BBC noticiou que a estrada ameaçava o meio-ambiente e as comunidades locais. O objetivo da obra de mobilidade é facilitar o tráfego para a capital paraense, sobretudo durante a COP30.

A informação desencadeou uma série de respostas dos governos do Pará e federal. A gestão paraense informou à época que "as comunidades estão sendo beneficiadas com infraestrutura e serviços" após a construção da estrada.

"A avenida de cerca de 13 km é uma importante obra de mobilidade para a Região Metropolitana de Belém, vai beneficiar mais de 2 milhões de pessoas e foi licitada antes mesmo de Belém ser definida como sede da conferência. Esse projeto não faz parte do pacote de investimentos para a COP, que contempla cerca de 30 obras estruturantes desenvolvidas pelo governo do Estado", disse o governo em nota à BBC na ocasião.

Já a Secretaria Extraordinária para a COP30, vinculada à Casa Civil da Presidência da República do Brasil, emitiu uma nota em março para explicar que a obra não era de "responsabilidade do governo federal ou faz parte das 33 obras de infraestrutura previstas para a realização da COP30".

"Salientamos que o título da notícia, em inglês e em português, desinforma o leitor, à medida que induz, de forma equivocada, a relação entre a obra e as ações do governo federal para a preparação da Conferência e que ficarão de legado à população da cidade", informou a Secretaria na época.

Crítica crescente

No sábado, 8, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, já havia classificado a COP30 como uma conferência prejudicial e equivocada.

Em entrevista à Associated Press, ele afirmou que o evento “é essencialmente uma farsa” e “não é uma organização honesta buscando melhorar a vida humana”. Wright acrescentou que pode comparecer à próxima edição “para levar um pouco de bom senso”.

A Casa Branca confirmou que os Estados Unidos não vão enviar representantes de alto escalão à conferência. Segundo comunicado, o presidente “não colocará em risco a segurança econômica e nacional do país para perseguir metas climáticas vagas”.

Mudança de postura dos EUA

Os Estados Unidos, a maior potência global, têm mudado de posição em questões climáticas de forma intensa nos últimos anos. 

Em 2015, o presidente Barack Obama, do Partido Democrata, apoiou o Acordo de Paris. No ano seguinte, contudo, Trump foi eleito presidente e retirou os EUA do compromisso após tomar posse.

Em 2021, nova reviravolta. O presidente Joe Biden, ex-vice de Obama, levou o país de volta ao acordo e lançou uma série de ações para estimular novas fontes de energia. Porém, Trump voltou à Casa Branca este ano, e retirou novamente os Estados Unidos do acordo climático.

Um dos seus lemas de campanha é "drill, baby, drill", um chamado a aumentar a exploração de petróleo.

Acompanhe tudo sobre:COP30Donald Trump

Mais de Mundo

Tumba de 3.000 anos é descoberta no sul do Egito

EUA iniciam nova rodada de ataques ao Irã neste domingo

Incêndio em casa noturna na Tailândia mata ao menos 27 pessoas

Mortes em terremotos na Venezuela sobem para 4.490