Cada vez mais aliados, Macron e Merkel se reúnem para discutir crises

O presidente francês recebe pela primeira vez a chanceler alemã em sua casa de verão. No cardápio: covid-19, Bielorrússia, Líbano e outras crises

O presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, se reúnem nesta quinta-feira (20) para tratar de vários temas internacionais, entre eles a crise na Bielorrússia, a situação no Líbano e o aumento da tensão no Mediterrâneo entre a Grécia e a Turquia. Segundo comunicado divulgado pela presidência francesa, não vai faltar assunto para os dois líderes. Eles devem conversar também sobre a coordenação europeia para o combate à covid-19, os próximos passos do plano de reconstrução econômica dos países europeus mais atingidos pela pandemia, o Brexit, as mudanças climáticas e as relações da União Europeia com parceiros como a China e a África.

A pauta ampla e difusa do encontro parece ficar em segundo plano diante de um fato que o porta-voz da presidência francesa fez questão de sublinhar: "Este encontro é de natureza excecional, já que é a primeira vez que a chanceler é convidada para Fort Brégançon por um presidente da República francesa". Fort Brégançon é uma fortaleza do século 13 na Riviera Francesa, no sul do país, onde desde 1968 funciona a residência de verão do presidente da França. O último chanceler alemão convidado para visitar o lugar foi Helmut Kohl, recebido por François Mitterrand, em 1985.

Macron chegou a Brégançon no final de julho para passar as férias de verão, que foram interrompidas pela explosão de uma carga de nitrato de amônio no porto de Beirute, em 4 de agosto. Após a tragédia, Makron visitou a capital do Líbano e prometeu ajudar a ex-colônia francesa. O presidente francês regressou à residência de veraneio e deve retornar ao trabalho oficialmente em 25 de agosto.

O convite para Merkel visitá-lo em Brégançon mostra a proximidade atual entre os dois líderes, que até há alguns meses ainda batiam cabeça pela diferença de posições sobre as medidas necessárias para combater os efeitos econômicos da pandemia do coronavírus na Europa. Historicamente defensora da austeridade fiscal, Merkel relutava em apoiar um plano de ajuda mais generoso para os países “gastões” do sul da Europa mais afetados pela crise, como a Itália e a Espanha. Por fim, Merkel se convenceu de que esse era o melhor caminho para salvar a União Europeia – da qual muito depende a economia alemã – e trabalhou ao lado de Macron para a aprovação, em 21 de julho, do inédito pacote de 750 bilhões de euros para recuperar a economia do bloco – 390 bilhões na forma de doações e 360 bilhões em empréstimos a juros baixos.

Em Brégançon, entre vinhos e queijos, espera-se que Macron e Merkel troquem suas impressões sobre a crise na Bielorrússia, onde milhares de pessoas vêm protestando diariamente nas ruas desde a eleição de 9 de agosto, na qual o presidente Alexandre Lukashenko, no poder desde 1994, foi declarado vencedor, com 80% dos votos. Ontem, líderes da União Europeia se reuniram para discutir a situação na Bielorrússia e declararam que não vão reconhecer o resultado das eleições, por evidências de fraudes, e que estão preparando uma lista de sanções contra o país.

Na terça-feira, tanto Merkel quanto Macron conversaram por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e lhe pediram para pressionar Lukashenko a dialogar com a oposição. Putin – que, aliás, foi recebido por Macron em Brégançon, em agosto de 2019 – aproveitou os telefonemas para transmitir a mensagem de que qualquer interferência estrangeira na ex-república soviética “seria inaceitável e poderia agravar a situação”, segundo um comunicado do Kremlin citado pela emissora alemã Deutsche Welle.

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