Portugal: país é um dos principais destinos para brasileiros migrantes (Leandro Fonseca/Exame)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 22 de setembro de 2026 às 10h54.
Os brasileiros já representam cerca de 4,3% da população de Portugal, considerando os 493.622 residentes de nacionalidade brasileira registrados pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) em 2025, em uma população residente de aproximadamente 11,4 milhões de pessoas.
O número faz dos brasileiros, pelo sexto ano consecutivo, a maior comunidade estrangeira do país.
De acordo com o Relatório de Migrações e Asilo (RMA) 2025, divulgado nesta terça-feira, 22, os brasileiros correspondem a 31,1% de toda a população estrangeira residente em Portugal.
Em relação ao levantamento anterior, quando eram contabilizados 484.596 brasileiros com autorização de residência, houve aumento de aproximadamente 9 mil pessoas, ou cerca de 2%.
A dimensão da comunidade, porém, pode ser maior. A AIMA não contabiliza como brasileiros os residentes que possuem dupla cidadania. Uma estimativa citada pelo O Globo aponta que o total de brasileiros vivendo em Portugal poderia ultrapassar 700 mil pessoas.
O próprio Instituto Nacional de Estatística (INE) português havia apontado em junho 574 mil brasileiros com autorização de residência.
A AIMA registrou 1.58 milhão de cidadãos estrangeiros residentes em Portugal em 31 de dezembro de 2025. Esse número inclui pessoas com títulos de residência válidos, mas também outros grupos com processos de regularização em andamento ou abrangidos por regimes específicos.
Desse total, 1.32 milhão de cidadãos tinham título de residência válido. A estatística também inclui beneficiários de proteção temporária, pessoas com processos de manifestação de interesse em fase de conclusão e cidadãos que aguardavam a regularização ou renovação de seus documentos.
A agência ressalta que os dados administrativos precisam ser lidos com cuidado. Em 2025, foram concedidos 338 mil títulos de residência, alta de 55% em relação ao ano anterior. Esse crescimento, contudo, não corresponde diretamente à entrada de novos imigrantes naquele ano, já que uma parte relevante dos documentos emitidos resultou da resolução de processos que estavam pendentes.
A AIMA afirma que “a nacionalidade brasileira mantém-se, pelo sexto ano consecutivo, como a principal comunidade estrangeira residente”.
Segundo a agência, além do peso numérico, a comunidade brasileira conta com proximidade linguística, cultural e histórica com Portugal. No relatório, a AIMA afirma que essa proximidade “facilita a sua integração no mercado de trabalho, no sistema educativo e na vida social portuguesa”.
O perfil da população estrangeira também é majoritariamente jovem e em idade ativa. Pessoas entre 18 e 64 anos correspondem a 84,6% dos estrangeiros residentes em Portugal. A faixa de 18 a 34 anos reúne 668.958 pessoas.
A relação entre os dois países também aparece nos dados sobre o Estatuto de Igualdade de Direitos e Deveres entre Portugal e Brasil.
Criado no âmbito do Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta, assinado em 2000, o regime permite que brasileiros que residem legalmente em Portugal tenham acesso a determinados direitos civis, sociais e profissionais equiparados aos dos portugueses. O estatuto também pode incluir direitos políticos, quando solicitado.
Em 2025, a AIMA registrou 22.614 pedidos de Estatuto de Igualdade, o maior número desde a criação da agência. Desse total, 22.508 pedidos foram exclusivamente de Direitos e Deveres, 54 trataram apenas de Direitos Políticos e 52 foram solicitações cumulativas.
Segundo a AIMA, o volume de pedidos corresponde a aproximadamente 4,6% da comunidade brasileira residente naquele ano.
A evolução também chama atenção: os pedidos passaram de 7.320 em 2019 para 22.614 em 2025. A agência relaciona a alta ao crescimento da comunidade brasileira, à maior divulgação do regime e à simplificação dos procedimentos administrativos.
O relatório mostra ainda que a imigração para Portugal está fortemente associada à atividade profissional. Entre os títulos de residência concedidos em 2025, 95,7% tinham como motivo a atividade profissional.
No conjunto da população estrangeira residente, as autorizações relacionadas ao trabalho somavam 482.818 pessoas. A maior parte correspondia a trabalhadores com atividade subordinada, que reuniam 402.314 residentes. Outros 64.375 exerciam atividade profissional independente e 10.723 estavam em atividades altamente qualificadas.
A população estrangeira também está concentrada geograficamente. Lisboa, Setúbal, Faro e Porto reuniam 1.114.402 residentes estrangeiros, equivalentes a 70,3% do total nacional.
Lisboa concentrava 200.073 estrangeiros, seguida por Sintra, com 98.652; Porto, com 60.351; Cascais, com 56.383; e Amadora, com 55.457.