Mundo

Big techs da China entram na disputa pela saúde com IA em 2026

Empresas passaram a competir por usuários e por espaço no ecossistema de serviços médicos digitais

China: IA pode ser uma aliada dos profissionais da saúde (Westend61/Getty Images)

China: IA pode ser uma aliada dos profissionais da saúde (Westend61/Getty Images)

China2Brazil
China2Brazil

Agência

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 15h18.

Tudo sobreChina
Saiba mais

As principais empresas de tecnologia da China lançaram, entre o fim de 2025 e o início de 2026, aplicativos de saúde com inteligência artificial para disputar um mercado que voltou a ganhar força após anos de estagnação. Ant Group, Alibaba, Baidu, JD.com, ByteDance e iFlytek passaram a competir por usuários e por espaço no ecossistema de serviços médicos digitais, com foco em triagem de sintomas, leitura de exames, apoio a consultas e gestão da saúde.

Médicos ouvidos pelo Tech Planet afirmam que a IA ajuda a interpretar sintomas e laudos, reduz dúvidas iniciais e diminui a ansiedade do paciente antes da consulta. Usuários relatam que recorrem às ferramentas para avaliar desconfortos leves e esclarecer informações básicas, e buscam atendimento presencial quando o caso exige exame clínico. O sistema de saúde enfrenta desequilíbrio entre oferta e demanda, com falta de tempo para acompanhamento contínuo de pacientes ambulatoriais e recém-saídos do hospital. Nesse contexto, a IA atua como apoio em tarefas repetitivas, como responder perguntas frequentes, organizar dados clínicos e explicar relatórios médicos, sem substituir a avaliação profissional.

O interesse das big techs também se explica pelo tamanho do mercado. Projeções apontam que o setor de gestão de saúde com IA na China pode alcançar 2,59 trilhões de yuans até 2027, com crescimento anual acima de 20%. Além do atendimento direto ao consumidor, as plataformas funcionam como portas de entrada para outros serviços da cadeia de saúde, como seguros, gestão de doenças crônicas e apoio a pesquisas clínicas. Empresas com infraestrutura de dados e modelos de grande escala conseguem aplicar a IA em múltiplos cenários e integrar tecnologia ao fluxo de atendimento médico.

Rentabilidade segue como principal desafio

A geração anterior de plataformas de saúde online enfrentou dificuldades para alcançar lucro. A Good Doctor Online priorizou serviços e evitou monetização por medicamentos e publicidade médica. A estratégia limitou a receita e levou à aquisição da empresa pelo Ant Group. A Chunyu Doctor registrou prejuízos de 9,57 milhões de yuans em 2023, 22,95 milhões em 2024 e 2,92 milhões nos dez primeiros meses de 2025. A WeDoctor tentou abrir capital em Hong Kong desde 2021 e manteve prejuízos, embora tenha reduzido a taxa de perdas para 4,2% no primeiro semestre de 2025.

O comércio eletrônico farmacêutico permanece como o modelo mais estável de geração de receita. No primeiro semestre de 2025, a JD Health elevou a receita em 24,5%, para 35,29 bilhões de yuans. O varejo farmacêutico respondeu por 83% do faturamento. O lucro líquido cresceu 27,45%, para 2,6 bilhões de yuans.

Os novos projetos de IA enfrentam outro tipo de pressão: manter neutralidade médica e, ao mesmo tempo, encontrar fontes de receita. O Ant Group informou que o Afu não exibe publicidade nem rankings comerciais em conteúdos de perguntas e respostas. Em janeiro de 2026, a plataforma registrou mais de 30 milhões de usuários ativos mensais e mais de 10 milhões de perguntas por dia.

Acompanhe tudo sobre:China

Mais de Mundo

Agenda oficial de Trump não prevê encontro com Flávio Bolsonaro nesta terça

Irã afirma que países do Golfo não serão mais base segura para os EUA

EUA, Índia, Austrália e Japão reativam cooperação do Quad

Copa do Mundo: Fifa confirma que base do Irã será no México