Ativista do Pussy Riot é internado com sinais de envenenamento

Piotr Verzilov é um dos quatro ativistas que invadiram o campo da final da Copa do Mundo na Rússia

Moscou – O ativista do grupo punk Pussy Riot Piotr Verzilov foi internado em um hospital de Moscou em estado “crítico” e com supostos sinais de envenenamento, denunciou nesta quinta-feira o grupo em sua página no Facebook.

Our friend, brother, comrade Petr Verzilov is in reanimation. His life is in danger. We think that he was…

Posted by PussyRiot on Wednesday, September 12, 2018

Verzilov – um dos quatro ativistas do Pussy Riot que invadiu o campo do estádio Luzhniki durante a final da Copa do Mundo entre França e Croácia, e que é um dos editores da plataforma independente de notícias Mediazona – foi hospitalizado em “estado crítico”, na terça-feira passada, na unidade de toxicologia do Hospital Clínico Bakhrushin de Moscou.

Sua companheira, Veronika Nikulshina, disse ao jornal digital “Meduza”, dirigido por Verzilov, que ele “começou a perder a visão, a fala e a mobilidade”.

Seus amigos relataram que a mãe do ativista tentou visitá-lo no hospital, na quarta-feira à tarde, mas os funcionários do local não permitiram, e “inclusive recusaram informar a ela o estado de saúde e o diagnóstico preliminar de Verzilov.

“No hospital, disseram a sua mãe que não tinham permissão para dar essa informação. Disseram-lhe que fosse embora e foram desrespeitosos. Falaram que ela não podia ficar ali e insistiram em que não podiam dar nenhum dado sobre seu filho até que ele mesmo assinasse a autorização”, relatou o “Meduza”.

Os amigos do ativista denunciaram que Verzilov não pode assinar nenhuma permissão no estado em que se encontra.

Segundo sua companheira, Verzilov começou a se sentir mal pouco depois de uma audiência em um tribunal na terça-feira. Às seis da tarde, hora local, se deitou para descansar e quando Nikulshina chegou a casa duas horas depois, Verzilov “acordou e disse que estava começando a perder a visão”.

“Entre as oito e as dez seu estado piorou gradualmente. Primeiro foi a visão, depois sua capacidade de fala e depois a de movimento”, relatou Nikulshina ao “Meduza”.

“Quando chegaram os paramédicos, ele respondeu suas perguntas e lhes afirmou que não tinha comido nada”, disse Nikulshina.

“Foi então que seu estado piorou rapidamente e começou a convulsionar. No caminho do hospital, na ambulância, já estava balbuciando. Caiu em um estado meio inconsciente e deixou de responder e de me reconhecer”, continuou a companheira de Verzilov.

Segundo ela, os médicos não encontraram “nada de errado” inicialmente em seu diagnóstico preliminar, mas por volta de uma da madrugada “repentinamente transferiram Verzilov para a unidade de toxicologia do hospital”.

Os funcionários da unidade de saúde se negaram a dizer a Nikulshina que tinham diagnosticado que o ativista fora envenenado, alegando que ela era somente sua companheira e que portanto não tinha “nenhum direito” de ser informada sobre o resultado dos exames.

Horas mais tarde, os familiares de Verzilov disseram que os médicos trabalham com a hipótese de intoxicação por ingestão de remédios como possível causa da repentina deterioração de sua saúde, já que mencionaram fármacos anticolinérgicos para tratar de uma ampla gama de sintomas e cujo consumo em dose inadequada pôde ter levado a esses efeitos secundários.

A família do ativista se nega a aceitar a hipótese, ao estar segura de que Verzilov não poderia ter tomado pílulas capazes de causar esse efeito por vontade própria.

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