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Às vésperas de eleições, qual será o futuro político de Netanyahu?

Termos de paz no Irã são inaceitáveis para a maioria dos israelenses; oposição descreve performance de Netanyahu no conflito como "falha absoluta"

Netanyahu e Trump: aliança de dirigente israelense com republicano pode lhe custar reeleições em outubro ( Alex Wong/Getty Images)

Netanyahu e Trump: aliança de dirigente israelense com republicano pode lhe custar reeleições em outubro ( Alex Wong/Getty Images)

Publicado em 16 de junho de 2026 às 06h01.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, apostou alto em sua aliança com o líder americano, Donald Trump, e no peso político que ela tem. Referindo-se ao republicano, inclusive, como o "melhor amigo" que Israel já teve na Casa Branca, o conflito contra o Irã — visto como um grande inimigo de Israel — iniciado em conjunto com os EUA visava a queda de um regime que vê Jerusalém e o Ocidente como inimigos.

Todavia, essa aliança agora parece ter custado mais politicamente ao premiê do que o beneficiou: com as eleições israelenses programadas para o dia 27 de outubro, Netanyahu corre contra o tempo para reconsolidar sua influência política após a paz com o Irã, cujos termos, que não envolvem uma mudança do regime iraniano, são inaceitáveis para a maioria dos cidadãos. E a principal mão por trás do acordo foi a de Donald Trump.

As consequências já lhe custaram pontos nas pesquisas eleitorais, assim como a guerra, como um todo, vem prejudicando sua popularidade: de acordo com as mais recentes pesquisas do Haaretz, principal jornal israelense, o bloco de Netanyahu perde por até 5 pontos percentuais para seu principal concorrente, Naftali Bennett, que já foi o premiê israelense de 2021 a 2022, e atuou como o "primeiro-ministro alternativo", um posto equivalente ao vice-premiê, também em 2022.

Além disso, uma pesquisa realizada pelo Instituto da Democracia de Israel na semana passada revelou que 61% da população acredita que Netanyahu, de 76 anos, não deveria se candidatar a um novo mandato. As pesquisas eleitorais para as eleições nacionais de outubro preveem que o primeiro-ministro e seus aliados conquistariam cerca de 51 das 120 cadeiras do parlamento — um número muito inferior ao necessário para formar um novo governo estável.

O apoio dos israelenses ao seu primeiro-ministro, originalmente abalado por sua falha em impedir o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, foi novamente afetado à medida que Trump passou a assumir uma postura de liderança na campanha conjunta contra o Irã. As discussões intensas por telefone entre os líderes apenas reforçaram a posição secundária de Netanyahu — e de Israel — na parceria, aponta a Bloomberg.

"Ele é um cara muito difícil", disse Trump sobre Netanyahu em uma entrevista ao New York Times. "E, para ser honesto, ele deveria ser muito grato a nós por estarmos fazendo isso. Porque, se o Irã tivesse uma arma nuclear, Israel não duraria nem duas horas."

A questão nuclear iraniana serviu tanto de estopim para o conflito quanto como um dos pontos-chave do acordo, com a Casa Branca dizendo, em comunicado nesta segunda, 15, que o consenso garante que o Irã nunca desenvolverá uma arma nuclear e que o país também não ficará com o urânio enriquecido que poderia ser usado para esse propósito.

"Falha absoluta": a fúria da oposição

Netanyahu discursando na ONU - presidente enfrenta a raiva da oposição por acordo de paz no Irã feito por Trump (Michael M. Santiago/Getty Images)

Notícias sobre a paz no Irã geraram reações furiosas na coalizão e entre toda a oposição.

Além de um fim que não derrubou o regime dos aiatolás, a paz no Irã implica o fim ou a redução dos conflitos paralelos no Líbano, embora o assunto não conste nas negociações com Teerã e Israel continue mantendo tropas no sul do país. Os iranianos veem o Hezbollah, um proxy iraniano no Líbano, como uma ameaça existencial direta a Jerusalém, e Israel trocou golpes com o grupo que atua em apoio a Teerã.

Segundo apuração da Bloomberg, se Netanyahu desistir de sua campanha no país vizinho — algo que Trump espera que faça —, o premiê enfrentará ainda mais críticas, acusando-o de ter transformado Israel em um vassalo dos EUA.

“Com todo o respeito, Israel não está subordinado aos EUA”, escreve Itamar Ben Gvir, ministro da segurança nacional e líder de uma coalizão de extrema-direita, no X, em referência ao acordo entre os EUA e o Irã. “Não somos parte deste acordo que não zela pela nossa segurança — e ele não nos obriga a nada.”

Críticas à condução da guerra por Netanyahu também vieram de setores mais moderados da política israelense. Yair Lapid, líder da oposição parlamentar, atribuiu ao premiê a responsabilidade por não ter antecipado as consequências estratégicas, como um eventual fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã. A medida provocou uma disparada nos preços da energia e contribuiu para o aumento da impopularidade do conflito entre os americanos e diversos outros países.

Lapid diz ainda que Netanyahu "perdeu a guerra" e colapsou no "momento da verdade", adicionando que "Nunca, jamais houve uma falha absoluta maior do que a falha diplomática de Netanyahu na frente iraniana."

Embora os impactos econômicos tenham sido limitados em Israel, eles ampliaram a pressão sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sobre o Partido Republicano em um momento politicamente sensível, às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato.

“Ele vendeu aos americanos um roteiro excessivamente otimista, sem detalhar o mapa de riscos, e perdeu a confiança deles no meio da guerra”, disse Lapid. “Ele não levou em consideração a importância da alta dos preços do petróleo nos EUA apenas alguns meses antes das eleições para o Congresso.”

“Chegou a hora de reconhecermos que Netanyahu simplesmente não consegue mais fazer isso”, disse Lapid a repórteres antes da reunião semanal de sua facção do partido, Yesh Atid. Queixando-se de “um presidente americano dizendo abertamente e publicamente ao primeiro-ministro de Israel: ‘Eu sou seu chefe e você fará o que eu mandar’”, Lapid continua: “O Estado de Israel venceu a batalha; Netanyahu perdeu a guerra. As Forças de Defesa de Israel cumpriram suas missões; Netanyahu falhou em entregar o que prometia”, conclui.

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