Mundo

Aproximação entre Trump e Xi Jinping deixa Dalai Lama de lado

EUA reconhecem o Tibet como parte da República Popular da China e não apoiam a independência tibetana

Dalai Lama está adotando uma postura mais cautelosa em relação a qualquer reunião com o líder norte-americano (Kevin Lamarque/Reuters)

Dalai Lama está adotando uma postura mais cautelosa em relação a qualquer reunião com o líder norte-americano (Kevin Lamarque/Reuters)

R

Reuters

Publicado em 5 de maio de 2017 às 10h41.

Pequim / Nova Déli - Quando Donald Trump foi eleito em novembro, o Dalai Lama disse estar disposto a se encontrar com o novo presidente dos Estados Unidos, mas desde então Trump vem se aproximando do presidente da China, Xi Jinping, tornando menos provável que o homem que Pequim vê como um separatista receba um convite para visitar a Casa Branca no futuro próximo.

Há tempos os EUA reconhecem o Tibet como parte da República Popular da China e não apoiam a independência tibetana, mas isso não impediu todos os presidentes norte-americanos do passado recente antes de Trump de se encontrarem com o líder espiritual tibetano exilado.

Os EUA são amplamente vistos como a última grande potência ocidental que vem tendo reuniões com o Dalai Lama apesar das objeções de Pequim, que argumenta que tais encontros fomentam o separatismo.

Em reuniões anteriores os EUA expressaram seu apoio à proteção dos direitos humanos dos tibetanos na China e pediu conversas formais entre Pequim e o Dalai Lama e seus representantes.

Em uma coletiva de imprensa de rotina em Pequim nesta sexta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang, reiterou que a China repudia resolutamente que qualquer país estrangeiro permita visitas do Dalai Lama ou que qualquer autoridade estrangeira tenha qualquer forma de contato com ele.

O porta-voz não disse se seu país solicitou especificamente que Trump não se encontre com o Dalai Lama.

Uma porta-voz do Departamento de Estado norte-americano e uma autoridade da Casa Branca encaminharam a Reuters ao escritório do Dalai Lama quando indagadas se o líder espiritual tibetano e seus representantes pediram uma reunião com Trump e se tal encontro foi planejado.

"Sua Santidade deveria ir (aos EUA) em abril, mas foi adiado", disse Lobsang Sangay, chefe do governo tibetano no exílio, à Reuters.

A viagem foi remarcada para junho devido ao cronograma intenso dos meses anteriores, que deixou o Dalai Lama fisicamente exausto, disse Sangay, acrescentando que Washington não será parte do itinerário de junho.

O escritório do Dalai Lama ainda não procurou Trump para combinar um encontro, informou.

O Dalai Lama está adotando uma postura mais cautelosa em relação a qualquer reunião com o líder norte-americano, disse uma fonte a par do pensamento do vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1989.

Desde dezembro Trump conversou com Xi por telefone e pessoalmente e disse ter desenvolvido um relacionamento forte com o líder chinês.

Acompanhe tudo sobre:ChinaDonald TrumpXi Jinping

Mais de Mundo

Presidente do México diz que jogos da Copa não serão suspensos após onda de violência

Maioria dos americanos afirma que Trump está se tornando errático com a idade, mostra pesquisa

China impõe sanções a 20 empresas japonesas por risco militar

China inicia reuniões anuais que vão definir metas econômicas até 2030