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Aposentados no mundo todo sofrem os efeitos da covid, mostra estudo

Pesquisa exclusiva da Mercer aponta que os efeitos econômicos da pandemia devem influenciar a previdência; Brasil é um dos países mais afetados

Crise econômica causada pela pandemia deve afetar pensionistas no mundo todo (AndreyPopov/Thinkstock)

Crise econômica causada pela pandemia deve afetar pensionistas no mundo todo (AndreyPopov/Thinkstock)

Carla Aranha
Carla Aranha

21 de outubro de 2020, 16h54

O impacto econômico da pandemia do coronavírus não está afetando só a força de trabalho ativa. Os aposentados também devem sentir os efeitos da maior pressão sobre os recursos públicos e o desempenho econômico que os países vêm enfrentando. É o que aponta um estudo inédito da Mercer, elaborado em conjunto com o CFA Institute, associação mundial de profissionais de investimentos. A pandemia mexeu com a economia e os negócios no mundo todo. Venha aprender com quem conhece na EXAME Research. 

As questões econômicas relacionadas ao coronavírus tendem a acrescentar uma dose extra de insegurança para os aposentados. Mas esse não é o único problema dos pensionistas. O 12º Índice Global de Sistemas Previdenciários também aponta que a desigualdade de gênero na provisão de pensões tende a aumentar.

“Mesmo antes do revés econômico provocado pela pandemia, em geral as mulheres enfrentavam a aposentadoria com menos recursos do que os homens”, disse David Knox, sócio sênior da Mercer e principal autor do estudo. “Agora, essa lacuna deve aumentar ainda mais, particularmente entre os setores mais afetados pela crise, como o de serviços de alimentação, em que as mulheres representam mais da metade da força de trabalho”.

O Brasil, que está entre os países mais afetados pela covid-19, caiu três posições no ranking deste ano, em comparação a 2019, ficando na 26ª posição, atrás de países como a Malásia, a Colômbia e o Peru. Em primeiro lugar, está a Holanda, seguida pela Dinamarca e Israel.

No país, a análise da sustentabilidade do sistema de pensão público, que inclui fatores como os níveis atuais de gastos com a previdência pública, a dívida pública e o nível de crescimento econômico real, pesou fortemente para que o país perdesse algumas posições no ranking.

“Apesar da reforma previdenciária trazer um alívio fiscal no médio e longo prazos, seus efeitos demoram a ser sentidos e os reflexos da pandemia podem atrasar um pouco esse processo”, diz Felipe Bruno, líder de Previdência da Mercer Brasil. “O indicador de sustentabilidade continua a ser a maior deficiência do nosso sistema previdenciário”.

O Brasil, no entanto, não é o único país a fazer feio nesse quesito. A pontuação média de sustentabilidade caiu 1,2 ponto neste ano devido ao desempenho econômico negativo experimentado pela maioria das economias em razão da covid-19.

Este ano, o Índice Global de Sistemas Previdenciários comparou 39 sistemas de aposentadoria no mundo todo, públicas e privadas, que englobam quase dois terços da população mundial.

O ranking de 2020 inclui dois novos países, a Bélgica e Israel. O cálculo da pontuação leva em conta mais de 50 indicadores. Neste ano, o índice mensurou novas questões relacionadas a gastos públicos com o sistema previdenciário, os investimentos ESG e o apoio a cuidadores dos idosos.