Ano termina como o mais mortal para jornalistas desde 1995

A ONG Repórteres Sem Fronteiras calcula que 88 repórteres e 47 blogueiros morreram nos últimos 12 meses

Paris – O ano de 2012 chega ao fim como o mais mortal para os jornalistas em quase duas décadas, informou nesta quarta-feira a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que calcula que 88 repórteres e 47 blogueiros morreram nos últimos 12 meses, o maior número desde que a ONG começou a fazer esse balanço, em 1995.

Os 88 jornalistas mortos representam um aumento anualizado de 33%, sendo que 25 faleceram no Oriente Médio, 25 no norte da África, 21 na África Subsaariana, 15 no continente americano e dois na Rússia.

Todos eles perderam a vida durante a cobertura de conflitos ou atentados, ou foram assassinados por grupos vinculados ao crime organizado, a milícias islamitas ou por ordem de “oficiais corruptos”, detalha a RSF em seu relatório anual.

A alta no número de mortos – foram 67 em 2011 e 58 em 2010 – se deve em grande parte ao conflito na Síria, ao “caos” na Somália e à violência talibã no Paquistão, explica o secretário-geral da ONG, Christophe Deloire.

A RSF considera que a impunidade da qual gozam os autores desses crimes estimula a perseguição à liberdade de informação, e chama a atenção para os 47 blogueiros e jornalistas digitais assassinados este ano, um aumento de 870% na comparação com 2011.

À Síria, onde pelo menos 17 jornalistas morreram, se unem Somália (18), Paquistão (10), México (6) e Brasil (5) como os países mais mortais para esses profissionais, precisa a RSF, que detalha que o narcotráfico foi o responsável pelas mortes no caso do Brasil.

Os únicos números positivos são a queda de 16% no número de jornalistas detidos (879), índice que sobe para 27% no caso dos blogueiros (144). Além disso, baixou 46%, para 38, a quantidade de repórteres sequestrados.

A RSF indica, no entanto, que o perigo nas ruas está “longe” de ter desaparecido. No continente americano, o maior aumento de agressões corresponde a Argentina, devido à crescente polarização política; Brasil, por seu “tenso contexto eleitoral”; e México, como consequência dos “problemas políticos gerados desde o pleito de julho”.

Em 2013, segundo disse à Agência Efe um dos responsáveis da RSF, Benoit Hervieu, as incertezas que persistem sobre a continuação da Primavera Árabe e a realização de eleições em alguns países latino-americanos fazem com que, “infelizmente, haja poucas razões para sermos otimistas” quanto a uma melhora da situação. 

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