Reunião Petro Trump: presidentes da Colômbia e dos Estados Unidos se encontraram na Casa Branca para discutir narcotráfico, sanções e cooperação regional. (Colombian Presidency Press Office/Anadolu via Getty Images)
Repórter
Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 06h42.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, se reuniu nesta terça-feira, 3, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, em um encontro de duas horas voltado à recomposição da relação bilateral após um ano de tensões públicas entre os dois governos.
Ao final da reunião, Petro detalhou os principais temas discutidos, que incluíram narcotráfico, sanções, cooperação militar e propostas de integração econômica regional.
Petro afirmou que entregou a Trump uma lista com nomes de grandes chefões do narcotráfico que vivem fora do território colombiano. Segundo o presidente, os principais líderes das organizações criminosas não estão na Colômbia, mas em cidades como Dubai, Madri e Miami.
Para o colombiano, o foco da política antidrogas deve ser a perseguição aos grandes articuladores do tráfico internacional, e não a repressão tradicional aos cultivos, que, segundo ele, afeta diretamente trabalhadores rurais.
Petro defendeu sua estratégia de substituição de cultivos de coca associada ao combate às lideranças do narcotráfico.
Durante a conversa, Petro criticou os dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) sobre áreas de cultivo de coca e produção de cocaína, utilizados pela Casa Branca para acusar a Colômbia de falta de cooperação no combate às drogas.
O presidente colombiano afirmou que os números da UNODC são imprecisos há mais de uma década e disse ter solicitado a Trump a realização de uma verificação científica independente.
Petro não informou se os Estados Unidos pediram métricas concretas sobre a erradicação de cultivos.
Questionado sobre a retirada da Colômbia, em setembro do ano passado, da lista dos Estados Unidos de países que cooperam na luta contra as drogas, Petro afirmou que Trump não é favorável ao uso de sanções.
Segundo o colombiano, o presidente americano disse não acreditar em sanções como instrumento racional de política externa. Petro disse concordar com essa visão e declarou que, para ambos, o caminho não é o das punições, mas o da liberdade.
Petro relatou que propôs a Trump uma operação conjunta entre os Exércitos da Colômbia e da Venezuela para combater narcotraficantes que atuam nas regiões de fronteira.
ideia, segundo ele, é enfrentar grupos armados que mantêm vínculos com o tráfico de drogas.
O presidente mencionou especificamente a perseguição a líderes da guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN) que estariam em território venezuelano, além de outros criminosos.
A proposta acontece durante o reforço na segurança na fronteira de 2.219 quilômetros entre os dois países, especialmente na região de Catatumbo, onde atuam o ELN e a Frente 33 das dissidências das Farc, em disputa pelo controle territorial.
Outro tema tratado foi a situação da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em 3 de janeiro. Petro disse que Trump perguntou sua opinião sobre a operação e se ele havia se assustado com a ação.
O colombiano afirmou que está acostumado com cenários de guerra e relatou que não houve aprofundamento no tema.
Nesse contexto, Petro apresentou a Trump a proposta de que a petrolífera estatal colombiana Ecopetrol participe da reativação econômica do oeste da Venezuela. Segundo ele, o governo dos Estados Unidos viu a possibilidade imediata de revogar sanções nessa região e abrir espaço para a atuação da empresa colombiana.
O plano inclui o uso de energia elétrica limpa produzida na Colômbia, a reativação de gasodutos, oleodutos e conexões elétricas já existentes e o estímulo a setores como gás, petróleo e fertilizantes, em parceria com empresas venezuelanas, como a petroquímica Monómeros.
A iniciativa, segundo Petro, seria restrita ao oeste venezuelano e a áreas fronteiriças, como parte de uma estratégia de desenvolvimento econômico binacional.
Ao final do encontro, tanto Trump quanto Petro manifestaram satisfação com o resultado da reunião. Esta foi a primeira conversa presencial entre os dois presidentes, em um momento em que Petro se aproxima do fim de seu mandato, com o primeiro turno das eleições presidenciais colombianas marcado para 31 de maio.
*Com informações da EFE