Mercado Imobiliário

MRV cresce em vendas no 4º tri, mas geração de caixa segue sob pressão

Incorporação da companhia somou R$ 2,76 bilhões em vendas líquidas, alta de quase 18% sobre o trimestre anterior

MRV: menos lançamentos no 4º tri (Germano Lüders /Exame)

MRV: menos lançamentos no 4º tri (Germano Lüders /Exame)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 10h58.

A MRV&Co (MRVE3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com avanço nas vendas, porém com uma queda nos lançamentos do segmento de incorporação nacional. De outubro a dezembro, a companhia lançou R$ 2,8 bilhões em valor geral de vendas (VGV), o que representa uma queda de 3% em relação ao mesmo período de 2024, mas uma alta de 21% sobre o terceiro trimestre deste ano.

As vendas líquidas somaram R$ 2,8 bilhões no trimestre, alta de 5,9% na comparação anual e de 17,8% em relação ao terceiro trimestre. Ao longo do período, a empresa repassou 9.865 unidades — crescimento de 11,4% sobre o quarto trimestre do ano anterior.

Apesar do desempenho comercial, a velocidade de vendas (VSO) ficou em 24,2% no 4T25, queda de 7,7 pontos percentuais frente a um ano antes.

No acumulado de 2025, os lançamentos da MRV somaram R$ 11,5 bilhões em VGV, alta de 23,2% sobre 2024. As vendas líquidas do ano totalizaram R$ 9,9 bilhões, avanço de 2,2%.

A geração de caixa ajustada no quarto trimestre foi de R$ 102,3 milhões, queda de 61% em relação ao mesmo período de 2024, embora superior aos R$ 14,2 milhões registrados no terceiro trimestre.

Esse indicador exclui os efeitos contábeis de swaps de dívidas e juros relacionados à operação americana da companhia. Considerando a geração de caixa ajustada sem cessão de carteira de recebíveis, o número ficou em R$ 174,8 milhões — revertendo a queima de R$ 10,3 milhões vista um ano antes.

No consolidado do ano, a geração de caixa ajustada foi positiva em R$ 29,8 milhões, o que indica entrada líquida de recursos e representa uma queda de 92,9% em relação aos R$ 419,1 milhões gerados em 2024. Já a geração de caixa sem cessão de carteira — indicador que considera apenas recursos próprios da operação — foi negativa em R$ 33,9 milhões, ou seja, houve queima de caixa, embora em volume 95,6% menor que os R$ 775,8 milhões consumidos em 2024.

As subsidiárias da MRV

A prévia operacional evidencia a consolidação da Urba após um turnaround e o avanço gradual do plano de desinvestimento da Resia, enquanto Luggo e Sensia seguem em fases distintas de crescimento.

Na Urba, braço de loteamentos do grupo, os números confirmam a melhora estrutural da operação. No acumulado de 2025, a subsidiária registrou geração de caixa positiva de R$ 28,3 milhões, um avanço expressivo após anos de resultados pressionados. No quarto trimestre, porém, houve queima de R$ 11,7 milhões. As vendas líquidas do ano somaram R$ 378,1 milhões, alta de 39,9%, enquanto os lançamentos alcançaram R$ 475,4 milhões, crescimento de 18,4%.

Já a Resia, operação da MRV nos Estados Unidos, encerrou o ano sem vendas de ativos no último trimestre. O resultado foi uma queima de caixa de US$ 27,4 milhões no quarto trimestre, impactada principalmente por despesas financeiras e administrativas. No consolidado de 2025, a queima foi de US$ 54,9 milhões — ainda negativa, mas 37,7% menor do que em 2024.

O plano de desinvestimento segue em curso: de um portfólio legado de cerca de US$ 800 milhões, US$ 149 milhões já foram vendidos. A expectativa da companhia é retomar as vendas a partir do primeiro trimestre de 2026. No operacional, os ativos mantêm bom desempenho de locação, com o projeto Tributary já estabilizado e o Rayzor Ranch com 76% de ocupação.

A Luggo, focada em multifamily no Brasil, concentrou esforços na conclusão de obras ao longo do quarto trimestre. Três empreendimentos estão em fase de locação — Luggo Mauá (RJ), Luggo Pampulha (MG) e Luggo Samambaia (DF) — marcando a transição da fase de investimento para geração operacional.

Na outra ponta, a Sensia, plataforma de incorporação de médio padrão cujos números são reportados junto à MRV Incorporação, acelerou fortemente em 2025. Os lançamentos atingiram R$ 584 milhões em VGV, um salto de 329,5% em relação a 2024. As vendas líquidas somaram R$ 601 milhões no ano, alta de 20,7%.

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