A expansão do marketing de influência impulsiona a demanda por ghostcreators, profissionais que atuam nos bastidores para garantir produção contínua e consistência de linguagem das marcas (Xavier Lorenzo/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 08h41.
Última atualização em 9 de fevereiro de 2026 às 08h45.
*Por Maiara Garbin
O marketing de influência evolui em ciclos muito rápidos. O que antes girava em torno da presença carismática de grandes nomes, hoje também se abre para um formato mais estratégico: o ghostcreator. Esse profissional atua nos bastidores, sustentando a engrenagem de marcas que precisam de conteúdo contínuo, relevante e alinhado ao padrão de consistência que as plataformas digitais exigem.
O ghostcreator é aquele que concebe roteiros, vídeos, narrativas e estéticas digitais que o público consome como se viessem diretamente da marca. Em muitos casos, aparece apenas como voz ou referência criativa, sem o destaque de quem assina campanhas. A lógica é clara: quanto maior a demanda por presença digital constante, maior a necessidade de criadores especializados que saibam traduzir linguagem, formato e timing em escala.
Esse movimento responde a um cenário em que as marcas precisam se comunicar de forma frequente, explorando canais diversos e formatos de alta rotatividade. Stories, shorts, reels, assets de mídia e ações nativas pedem produção ininterrupta. Ter um ghostcreator garante que a identidade seja respeitada e que a audiência se identifique com um conteúdo institucional de forma parecida com que se identifica com o conteúdo do seu creator favorito.
Os números do setor ajudam a dimensionar essa força. O mercado global de marketing de influência deve movimentar mais de 32 bilhões de dólares em 2025, segundo dados da consultoria Statista.
No Brasil, a intenção de investimento acompanha essa curva: 57% dos anunciantes declaram que vão ampliar a verba dedicada à influência este ano, de acordo com o estudo "ROI & Influência 2025", da Youpix em parceria com a Nielsen.
A pesquisa também aponta que, entre as empresas que já investem mais de R$ 1,5 milhão por ano, dois terços pretendem aumentar ainda mais esse montante. Esse cenário mostra que a disputa por talentos criativos cresce, e o ghostcreator se posiciona como uma solução para sustentar a produção de forma contínua.
A tendência abre novos caminhos para marcas, agências e criadores. O primeiro está ligado à profissionalização do setor. Produzir conteúdo sem aparecer não reduz a complexidade do trabalho, pelo contrário, exige domínio técnico e sensibilidade para equilibrar autenticidade e coerência com a identidade da marca. É um tipo de entrega que pede clareza contratual sobre direitos autorais, remuneração e métricas de desempenho, para evitar invisibilidade criativa ou desvalorização do trabalho.
Outro ponto é a percepção do público. A audiência está cada vez mais crítica e atenta à forma como as mensagens chegam até ela. Se um conteúdo parece genérico ou desalinhado, o engajamento cai. O ghostcreator precisa operar nesse limite entre criar algo que flui naturalmente e, ao mesmo tempo, manter fidelidade ao posicionamento institucional. Quando isso acontece, o resultado é positivo e a marca ganha constância de voz e proximidade, enquanto o criador garante relevância mesmo sem aparecer.
O modelo também sinaliza mudanças na relação entre marcas e influenciadores. Ao invés de grandes campanhas pontuais, o que cresce é a lógica de produção distribuída, quase como estúdios de criação permanentes. Isso altera orçamentos, modelos de contratação e até os parâmetros de avaliação de resultados. O que importa é o impacto real sobre o público, engajamento qualitativo, retenção de audiência, geração de leads e conversão em vendas. Métricas que sustentam investimento e dão sentido à atuação de bastidores.
Na Mudah, temos visto como o ghostcreator já integra projetos de marcas que lideram a conversa. É muito mais do que preencher lacunas operacionais, é uma forma de repensar como a criatividade se manifesta no marketing de influência, além de abrir espaço para profissionais que dominam a linguagem digital de maneira tão profunda que conseguem desaparecer para que somente a mensagem seja a protagonista.
Esse fenômeno ainda está em fase de amadurecimento, mas já aponta para um futuro em que os criadores terão papéis mais diversos e menos dependentes de exposição pessoal. Para o mercado publicitário, isso representa tanto uma oportunidade quanto um desafio, uma vez que estrutura modelos mais transparentes, reconhece o valor de quem atua nos bastidores e garante que a autenticidade não se perca em meio à velocidade das entregas.
O ghostcreator é uma resposta às transformações da internet, às exigências das plataformas e ao apetite crescente das marcas por relevância contínua. Quanto mais entendermos esse papel, mais preparado estará o setor para valorizar a criatividade em todas as suas formas, inclusive aquelas que preferem atuar em silêncio.