Lucas Coelho, diretor de marketing da GWM Brasil (Divulgação/Ilustração gerada por IA/Exame)
Repórter de Marketing
Publicado em 15 de outubro de 2026 às 15h21.
Última atualização em 15 de outubro de 2026 às 15h23.
A montadora chinesa GWM quer dobrar suas vendas no Brasil em 2026, e lança nesta quinta-feira, 15, a campanha do Haval H7. Para além da divulgação do novo modelo, a estratégia da empresa no país aposta em experiências, redes sociais, comunidades digitais e uma parceria com o Mercado Livre para aproximar a marca dos consumidores.
A Great Wall Motors (GWM) quer vender 98 mil veículos no Brasil em 2026, número que é praticamente o dobro das 48 mil unidades comercializadas pela marca no ano passado. Para alcançar a meta, a montadora chinesa investe em uma estratégia moderna baseada em três pilares: transformar seus modelos em objetos de desejo, gerar conversas espontâneas nas redes sociais e aproximar a marca dos consumidores sem depender apenas das concessionárias.
A ofensiva, explica Lucas Coelho, diretor de marketing da GWM Brasil, combina "elementos populares", como influenciadores e transmissões ao vivo, com uma jornada de compra que inclui até a reserva de veículos pelo Mercado Livre.
A campanha do novo modelo da marca no país, o Haval H7, que estreia nesta quinta-feira, 15, é o capítulo mais recente dessa estratégia. Criado pela Artplan, o filme traz uma narrativa sobre experiências ao ar livre, com escalada, rafting e slackline na Serra do Cipó, em Minas Gerais.
"Não queremos construir a presença da GWM no Brasil como mais uma montadora tradicional. Queremos ser vistos como uma love brand, uma marca que tem uma forte conexão emocional com o público. O lado tecnológico e funcional já sabemos que o automóvel entrega”, afirma Coelho, em entrevista à EXAME.
Lançado no Brasil oficialmente em outubro, o Haval H7 é um SUV híbrido plug-in flex, com 370 cv de potência combinada e tração integral. O modelo chega ao país com preço de R$ 261 mil.Nesse primeiro momento do novo carro, a GWM quer associar o veículo a um estilo de vida que mescla rotina urbana e aventura. Segundo Coelho, em vez de concentrar a comunicação nas especificações técnicas dos modelos, a proposta é associá-los a experiências, estilos de vida e referências culturais.
“Nosso objetivo é que a marca esteja nas trends e que as pessoas desejem seus produtos. Queremos que GWM entre no cotidiano das pessoas de um jeito hypado."
Para criar esse desejo, uma das táticas é fazer diferentes etapas de lançamento do produto. Com o Haval H9, SUV de sete lugares com motorização a diesel, lançado em setembro de 2025, o processo incluiu: apresentação a jornalistas e criadores de conteúdo, promoção de experiências de contato com o produto, reservas de compra e, finalmente, a comunicação sobre atributos, preço e disponibilidade.
Segundo o CMO, o modelo teve uma procura inicial que surpreendeu a empresa: "O primeiro lote disponibilizado no Mercado Livre vendeu, em cerca de seis horas, o volume que a esperávamos comercializar em um mês."
A divulgação do H9 também ganhou uma mídia espontânea nas redes sociais com criadores de conteúdo comparando o modelo da GWM com o Toyota SW4.
"Foi engraçado porque nenhuma das marcas precisou se posicionar. Nem a GWM, nem a Toyota. Acompanhamos como os conteúdos reverberavam nessa 'briga boa' entre os dois carros", conta Coelho.
A estratégia pop da GWM no Brasil acompanha uma fase de expansão da companhia no país. Segundo Coelho, a empresa cresceu 135% nas vendas entre janeiro e setembro, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Em agosto, a montadora chegou à sétima posição no ranking mensal de emplacamentos, de acordo com o executivo.
A empresa colocou 11 modelos no mercado em 2026 e prevê mais dois lançamentos até dezembro.
Para a montadora, parte importante dos seus resultados comerciais vem da parceria com o Mercado Livre. Com uma loja oficial no marketplace, a companhia oferece aos clientes um sistema de reserva de veículos, mediante o pagamento de um sinal de R$ 9 mil. O consumidor escolhe o modelo e a configuração desejada, e pode indicar se deseja receber o carro em casa ou retirá-lo em uma concessionária.
O CMO explica que a iniciativa começou nos primeiros anos da operação brasileira, quando a montadora ainda precisava estruturar sua rede de vendas. Hoje, a plataforma é apresentada pelo executivo como um canal que acompanha diferentes etapas da jornada de compra, da descoberta do produto à reserva.
No caso do Haval H7, a marca abriu uma pré-venda restrita a clientes da GWM durante dois dias. Segundo Coelho, foram registradas 4 mil vendas em quatro dias, até o sábado seguinte ao lançamento, antes de os carros chegarem às concessionárias para test-drive.
"O Mercado Livre é uma ferramenta de vendas que oferece segurança ao consumidor, garantindo que ele pode fazer uma transação segura. É um parceiro de extrema importância para a GWM, não só do ponto de vista de comunicação e marca, mas também de geração de negócio.”
A GWM tenta manter uma relação mais próxima com os consumidores por meio do aplicativo My GWM. Além de reunir as tradiconais funções ligadas ao veículo, o app tem uma área que funciona como uma rede social própria, em que proprietários compartilham fotos, vídeos e experiências com a marca.
Coelho afirma que a plataforma já ultrapassou 100 mil downloads e reúne cerca de 70 mil usuários ativos.
A empresa também aposta em lives no YouTube a cada dois meses, com a participação de artistas, influenciadores e executivos. Os encontros misturam conversas sobre carros, tecnologia e música. Entre os convidados mencionados estão Toni Garrido e Carlinhos Brown. Segundo Coelho, algumas dessas lives alcançam de 3 milhões a 4 milhões de visualizações.
Fora do ambiente digital, a GWM estimula eventos e experiências que envolvam a sua rede de concessionárias. Em uma ação ligada à linha de modelos com tração 4x4, por exemplo, a empresa realizou 32 eventos simultâneos pelo país, com pistas de test-drive off-road e atrações para o público.
Segundo Coelho, foram vendidos 1.320 veículos naquele fim de semana, quando a média da marca era de aproximadamente 800 unidades.É esse mix de experiências que a campanha do Haval H7 quer explorar. Para isso, a narrativa parte da pergunta: "Como foi o seu fim de semana?"
O filme acompanha três amigos em atividades ao ar livre, com o SUV híbrido plug-in flex conduzindo a jornada. Segundo Coelho, a escolha criativa foi uma forma de diferenciar a campanha de iniciativas mais centradas em tecnologia e recursos visuais digitais, uma frente que a empresa já explorou em outros trabalhos.
“A mensagem desse carro é sobre fazer com que as pessoas queiram viver a vida.Por isso, pensamos em contar uma história real, de um fim de semana que aconteceu de verdade", explica o executivo.
A campanha conta com veiculação em TV, mídia digital, mídia exterior e painéis digitais. Em São Paulo, inclui ações no Aeroporto de Congonhas, em abrigos de ônibus, elevadores comerciais e painéis na Rodovia Ayrton Senna, além de presença no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A Great Wall Motors quer vender 98 mil veículos no Brasil em 2026. A meta é praticamente o dobro das 48 mil unidades comercializadas pela montadora chinesa em 2025.
O Haval H7 custa R$ 261 mil no Brasil. O SUV híbrido plug-in flex tem 370 cv de potência combinada e tração integral.
A GWM associa seus veículos a experiências, estilos de vida e referências culturais, com artistas, influenciadores, transmissões ao vivo e comunidades digitais. Segundo Lucas Coelho, diretor de marketing da GWM Brasil, a empresa quer ser vista como uma marca com forte conexão emocional com o público.
O consumidor acessa a loja oficial da GWM no Mercado Livre, escolhe o modelo e a configuração e paga um sinal de R$ 9 mil. Também pode optar pela entrega em casa ou pela retirada em uma concessionária.
Segundo Lucas Coelho, a GWM registrou 4 mil vendas do Haval H7 em quatro dias, até o sábado seguinte ao lançamento. O resultado ocorreu antes de os veículos chegarem às concessionárias para test-drive.
A GWM usa o aplicativo My GWM, que reúne funções ligadas aos veículos e uma rede social para proprietários compartilharem conteúdos e experiências. De acordo com Lucas Coelho, o aplicativo ultrapassou 100 mil downloads e tem cerca de 70 mil usuários ativos.