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Para onde está indo o valor da música?

O Brasil é uma potência na indústria da música, mas o valor não chega a quem cria

Música brasileira: artista ainda retém menos de 1% da receita gerada por streaming. (Paper Boat Creative/Getty Images)

Música brasileira: artista ainda retém menos de 1% da receita gerada por streaming. (Paper Boat Creative/Getty Images)

Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 14h18.

O Brasil consolidou-se entre os 10 maiores mercados de música gravada do mundo, de acordo com o relatório anual da IFPI.

O país vive um ciclo de expansão sem precedentes:

  • O streaming cresce ano após ano em ritmo de duplo dígito.
  • Plataformas digitais ampliaram a audiência global da música brasileira.
  • Nosso repertório cruza fronteiras com cada vez mais facilidade.

Mas uma verdade permanece incômoda e incontornável: menos de 1% da receita total do setor chega diretamente ao artista via streaming, segundo estimativas recorrentes de associações, consultorias e executivos do mercado.

Quando chega, chega:

  • tardiamente,
  • diluído,
  • imprevisível,
  • preso em contratos assimétricos,
  • e sem clareza real sobre o caminho do dinheiro.

O paradoxo é evidente: a música brasileira gera valor global, mas o artista ainda captura muito pouco desse valor.

O dilema estrutural: criamos muito, capturamos quase nada

A lógica dominante da música digital é global e segue um fluxo claro:

Criação descentralizada → Captura centralizada.

  • O artista cria.
  • Mas, plataformas, gravadoras, distribuidores e editoras concentram a receita e a governança.

Estudos internacionais mostram que, após descontos e repasses, um artista tradicional retém cerca de 20% do valor líquido gerado no streaming, e isso quando há contrato favorável. No Brasil, apesar de o streaming representar mais de 80% da receita de música gravada, a desigualdade permanece, e até aumenta, com a digitalização. O gargalo, porém, não está apenas na ponta nem no topo. Ele está no meio.

O middle market: onde está o maior potencial e a maior frustração

Entre os grandes artistas já consolidados e os novos entrantes, existe o grupo mais ignorado pela indústria:

o middle market, formado por artistas com:

  • catálogo relevante,
  • público real,
  • nichos fortes,
  • presença regional consistente,
  • potencial de escala global,
  • linguagem e autenticidade próprias.

Eles já têm tração, mas não conseguem transformar isso em crescimento internacional sustentável. O que falta?

  • Estrutura de carreira
  • Profissionalização
  • Inteligência de dados
  • Acesso ao mercado internacional
  • Estratégia de longo prazo
  • Capital criativo
  • Gestão integrada de receita

O resultado é sempre o mesmo: talento que cresce, mas não descola. É aqui que o Brasil mais perde valor.

Onde a tecnologia muda o jogo

Nos últimos anos, um novo modelo começa a surgir um ecossistema híbrido de:

tecnologia + dados + distribuição + capital criativo.

Ele redistribui poder. Dá previsibilidade. Reduz intermediários. E transforma carreira em negócio. Esse modelo permite ao artista:

  1. Controlar sua própria estratégia

Dashboards profissionais revelam:

  • origem dos streams,
  • comportamento de audiência,
  • geografia do consumo,
  • tendências de catálogo,
  • eficiência de campanhas e playlists.
  1. Expandir globalmente com método

Hoje, mais da metade dos artistas independentes do mundo que ganham mais de US$ 1.000/mês obtém a maior parte da receita fora de seus países, segundo Luminate e MIDiA.

Isso abre rotas claras: Brasil → América Latina → Europa → EUA.

  1. Tratar catálogo como ativo financeiro

O catálogo musical é, hoje, um dos ativos mais resilientes do entretenimento.

Ele gera:

  • receita recorrente,
  • previsibilidade,
  • capacidade de alavancagem,
  • potencial de valorização a longo prazo.
  1. Acessar adiantamentos com governança

O capital criativo, equivalente musical do “revenue-based financing”, antecipa ganhos futuros sem sacrificar a carreira do artista.

  1. Integrar todas as fontes de receita

Streaming + shows + direitos + produtos + comunidade.

A soma desses elementos reduz volatilidade e elimina o risco do “one-hit wonder”.

O Brasil não é mais apenas consumidor, é exportador de música

Nos últimos 24 meses:

  • O Brasil voltou para o Top 10 global (IFPI).
  • América Latina foi a região que mais cresceu no mundo.
  • Gêneros como sertanejo, trap, funk, piseiro, pop e gospel dominam o digital.
  • Plataformas internacionais intensificaram a presença de repertório brasileiro.

Mas ainda somos uma potência de impacto cultural, não de captura econômica.

Falta método. Falta escala. Falta governança. Falta estrutura profissional. É aqui que surge um novo tipo de player.

A visão de cadeia de valor aplicada à música

Depois  de décadas atuando em internacionalização, tecnologia, operações e capital, observo no setor musical uma convergência rara. O artista é um ativo vivo: artístico, emocional, cultural e econômico. Ele pode, e deve, ser escalado com a mesma lógica utilizada para expandir empresas, operações e cadeias globais. Daí nasce um tripé estratégico:

Telostot//Tompkins: arquitetura, governança e cadeia de valor

+

STRM Music: tecnologia, dados e capital criativo

+

STRM One: produtos, comunidade e monetização

Esse modelo trata o artista como:

  • criador,
  • empreendedor,
  • operação,
  • marca,
  • ativo,
  • empresa global.

Tudo isso sem  interferir na arte, mas garantindo estrutura.

Como funciona esse modelo emergente

  1. Tecnologia + dados
    Diagnóstico analítico de carreira com mais de 250 indicadores de performance, consumo, geografia e risco.
  2. Distribuição digital global + gestão de catálogo
    Posicionamento estratégico em cada mercado.
  3. Capital criativo estruturado
    De R$ 1 mil a R$ 1 milhão, conforme potencial de catálogo e histórico de consumo.
  4. Produtos, experiências e comunidade (STRM One)
    Fã vira comunidade.
    Comunidade vira receita recorrente.
    Receita recorrente vira sustentabilidade.
  5. Internacionalização como processo
    Não como acaso, sorte ou viralização isolada.

O que ainda precisa ser superado

  • Nem todo artista irá escalar, e isso é natural.
  • Streaming, sozinho, não sustenta uma carreira.
  • Adiantamento sem governança vira armadilha.
  • A profissionalização segue sendo o divisor de águas.
  • Tecnologia sem curadoria humana é inócua.
  • E no final, a criatividade é o núcleo que sustenta tudo.

O momento decisivo: o Brasil pronto para o próximo salto O Brasil já provou que é potência criativa. Já provou que é potência de consumo. Já provou que é potência de repertório. Agora precisa provar que é potência de captura de valor. Isso exige:

  • estrutura,
  • estratégia,
  • dados,
  • governança,
  • capital,
  • visão global,
  • e aliados que não explorem: que multipliquem valor.

Conclusão: a nova década da música brasileira começa agora

O mundo já reconhece nossa arte. Mas falta reconhecer, econômica e institucionalmente, quem a cria. Se combinarmos:

tecnologia + estratégia + cadeia de valor + capital criativo,

então veremos algo inédito:

Artistas brasileiros não apenas sendo ouvidos pelo mundo, mas sendo donos do valor que geram. Este é o verdadeiro ponto de inflexão da nossa história musical. E é daqui que nasce a próxima década da música brasileira.

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