Líderes Extraordinários

Intervalo de jogo: redefinindo sua carreira

Executivos refletem sobre propósito, desafios e novas possibilidades na segunda metade da carreira.

Carreira sênior: reinvenção profissional exige autoconhecimento, preparo e novos desafios. (Skynesher/Getty Images)

Carreira sênior: reinvenção profissional exige autoconhecimento, preparo e novos desafios. (Skynesher/Getty Images)

Luis Giolo
Luis Giolo

Colunista

Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 10h00.

Última atualização em 5 de janeiro de 2026 às 11h01.

Recentemente, tive o prazer de ser convidado por um grupo de executivos e empresários para discutir um tema que ressoa profundamente: como podemos abordar a próxima fase de nossas vidas, muitas vezes referida como o “segundo tempo” ou o “terceiro ato”. Um dos autores que mais se dedicou a essa reflexão é Bob Buford, que resume, de forma brilhante, que a primeira metade da vida gira em torno do sucesso, enquanto a segunda busca por significado.

A busca pelo trabalho ideal é uma constante em nossas vidas. Mas o que realmente significa o trabalho ideal? Segundo o colega do INSEAD Rafael D'Andrea, em seu livro “Reinventando-se depois dos 50 Anos”, o trabalho ideal é aquele que proporciona significado pessoal, flexibilidade na rotina, novos desafios, diversão e relacionamentos enriquecedores, tudo alinhado com nossos valores, sem comprometer nossa autoimagem ou adequação social.

Por outro lado, meu mentor Claudio Fernandes-Araoz introduz o conceito de vocação, que nos convida a equilibrar vida e trabalho. Para encontrar uma ocupação que nos permita viver plenamente, é essencial dedicar-se a algo que amamos, para o qual somos qualificados, em um ambiente onde sentimos que estamos contribuindo positivamente. Essa sensação de satisfação profunda no trabalho pode ser cientificamente demonstrada através do estado de “fluxo” no cérebro, que gera um nível elevado de produtividade e contentamento. Curiosamente, estudos mostram que recompensas financeiras não são sinônimo de felicidade.

Embora a expectativa de vida esteja se ampliando, a "idade corporativa" permanece estagnada, com muitas empresas planejando a aposentadoria de seus colaboradores entre 60 e 65 anos. Surpreendentemente, a média de idade dos CEOs é de 52 anos, enquanto multinacionais frequentemente buscam perfis ao redor dos 45 anos, acreditando que esses candidatos devem ter ao menos duas promoções pela frente. Já as empresas locais tendem a ser mais flexíveis, mas muitas delas ainda operam em um modelo familiar, o que pode resultar em maior instabilidade na carreira.

Um conceito fascinante que pode servir como ponto de partida para essa reflexão é o Ikigai japonês, que significa “razão de ser”. Ele se baseia na interseção entre o que amamos, o que podemos ser pagos, no que somos bons e no que o mundo precisa. Encontrar o seu Ikigai pode trazer uma satisfação e um significado profundo ao trabalho, mas essa busca não é para todos.

Ao conversar com executivos em busca de um novo rumo, percebo que muitos cometem dois erros comuns: primeiro, a “paralisia da análise”, em que a avaliação excessiva de prós e contras os impede de agir; e, segundo, a tendência de seguir o que outros fazem, sem considerar se isso realmente se alinha com seus valores e características pessoais. Experimentar e agir, em vez de apenas pensar, é fundamental para calibrar objetivos e avançar. Para isso, busque um grupo de amigos que ofereça um ambiente seguro para diálogos construtivos e desafiadores.

A carreira no “segundo tempo” pode ser multifacetada, abrangendo uma variedade de papéis que permitem ao executivo explorar diferentes facetas de sua experiência, como investidor, conselheiro, consultor, mentor ou professor. Entre essas opções, muitos profissionais buscam se tornar conselheiros. Mas você está realmente preparado para os desafios dessa função? Apesar das dificuldades, já que os bons conselhos são seletivos e a oferta de candidatos supera a demanda, é crucial se preparar adequadamente. Portanto, avalie sua prontidão de forma objetiva, considerando que essa posição exige dedicação, um risco inerente e um maior escrutínio da mídia e da sociedade.

Por fim, proponho um exercício: encontre duas histórias de sucesso e uma de fracasso em sua vida. Essas narrativas servirão como base para analisar quais são suas fontes de energia. O processo de reflexão sobre essas experiências é mais significativo do que o conteúdo em si. A oportunidade de reescrever sua história está ao seu alcance – agarre-a com determinação e confiança.

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