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O metaverso do Facebook pode ser um fracasso retumbante

Mark Zuckerberg está convencido de que em poucos anos chegaremos realmente a óculos de realidade virtual leves e funcionais
Mark Zuckerberg no metaverso, o ambiente virtual em que o Facebook aposta | Foto: Reprodução (Facebook/Reprodução)
Mark Zuckerberg no metaverso, o ambiente virtual em que o Facebook aposta | Foto: Reprodução (Facebook/Reprodução)
Por Carlo CautiPublicado em 23/11/2021 06:35 | Última atualização em 23/11/2021 17:27Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Mark Zuckerberg está convencido que o metaverso é o futuro das redes sociais. Ou, pior, da internet como um todo.

O fundador do Facebook está tão certo dessa crença que chegou a mudar de nome da empresa para Meta e está apostando pesado no sucesso no visor de realidade virtual Oculus.

Há sete anos, Zuckerberg comprou a Oculus por 2,4 bilhões de dólares. A empresa tinha sido fundada por um personagem controversa, e até farsesca: Palmer Luckey.

Desde então, o Facebook vem investindo pesado para tentar desenvolver o produto.

Só que essa aposta pode não vingar. O sonho de realidade aumentada, ou realidade mista, já foi o cavalo de batalha de gigantes digitais dos anos 1990 (o termo metaverso foi criado em 1992 pelo escritor de ficção científica Neal Stephenson no livro "Snow Crash"). Na época, foi um fracasso retumbante.

O projeto foi retomado em 2013 por gigantes como Google, com a febre do Google Glass, e Microsoft, quando lançou o visor Hololens. Mais uma vez, acabaram como desastres comerciais caríssimos, que agora estão prestes a completar uma década. Não por acaso, a realidade virtual continua sendo um mercado irrisório.

Mesmo assim, Zuckerberg está convencido de que em poucos anos chegaremos realmente a óculos de realidade virtual leves e funcionais, como os que usamos para corrigir problemas de vista.

Serão visores capazes de preencher o mundo que nos cerca de hologramas e informações digitais, com as quais será possível interagir graças a suportes tão inteligentes que conseguirão interpretar nossos movimentos.

O detalhe, nada irrelevante, é que todos esses instrumentos estão sendo desenvolvidos com lentidão e extrema dificuldade.

Mas esse é o projeto central do Facebook. A ideia é superar os smartphones. Tirar a centralidade desses aparelhos para tentar conquistar essa fatia de mercado oferecendo uma alternativa de sucesso ao mundo da internet.

Se essa nova empreitada será também frustrada, como foi no passado, é algo que descobriremos muito em breve.

Claro, no mundo da tecnologia, nem sempre chegar primeiro significa ser o vencedor. O Orkut que o diga, varrido do mapa pelo Facebook, que surgiu quase uma década depois.

Entretanto é muito pouco provável que as pessoas sejam interessadas em passar horas dentro de um mundo “misto”, onde físico e virtual se unem. Sem contar os riscos que isso comporta.

Em suma, Zuckerberg não está apostando tudo no Meta somente para forçar o esquecimento dos escândalos que estão cercando a rede social.

Ele está realmente convencido de que o futuro seja o metaverso. É muito provável que esteja enganado. E isso poderá custar caro ao seu império digital.

*Carlo Cauti é Editor Multimídia da EXAME Invest.