Mais conservador, fundos de pensão investem em renda fixa

A alocação em renda fixa no ano passado atingiu 68% das carteiras, contra uma fatia de 56% dois anos antes

	Fundos: "Os fundos estão com a carteira mais conservadora. Em 2013, existia uma expectativa de queda da parcela da renda fixa e da diversificação"
 (Bruno Domingos/Reuters)
Fundos: "Os fundos estão com a carteira mais conservadora. Em 2013, existia uma expectativa de queda da parcela da renda fixa e da diversificação" (Bruno Domingos/Reuters)
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Fernanda Guimarães e Cynthia DecloedtPublicado em 13/09/2016 às 09:40.

São Paulo - O cenário de crise política e econômica no Brasil combinado com elevadas taxas de juros pôs os fundos de pensão brasileiros na posição mais conservadora de seus investimentos da história.

A alocação em renda fixa no ano passado atingiu 68% das carteiras, contra uma fatia de 56% dois anos antes. Em renda variável, a participação atingiu 21% em 2015, ante 34% em 2013.

Sem considerar as três maiores fundações do País, a alocação em renda fixa sobe para 85% dos ativos. A pesquisa, realizada pela Itajubá Investimentos, que será apresentada nesta terça-feira no 37º Congresso da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), consultou 113 fundos de pensão, responsáveis por 85% dos ativos totais da indústria, que ultrapassa a casa dos R$ 750 bilhões.

"Os fundos estão com a carteira mais conservadora. Em 2013, existia uma expectativa de queda da parcela da renda fixa e da diversificação", diz o sócio da Itajubá Investimentos, Carlos Garcia, ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Entre as demais alocações das fundações, 5% estão em imóveis, 3% em investimentos estruturados, 0,4% em investimentos no exterior e 3% correspondem a operações com participantes.

A pesquisa mostra ainda pouca disposição, neste momento, para diversificação. Os fundos que participaram da pesquisa revelam postura conservadora para este ano, querendo manter ou elevar investimentos em renda fixa.

Ao mesmo tempo, porém, revelam a intenção de aumentar, no futuro, a exposição em renda variável, fundos de private equity e imóveis.

Para Garcia, o início das mudanças das expectativas em relação à economia, em especial as taxas de juros, será a mola propulsora para que os fundos avancem em termos de diversificação.

"A legislação dos fundos em relação à meta atuarial leva em conta a rentabilidade média dos últimos três anos em relação à 'duration' (duração do passivo) do plano."

Na prática, com a queda dos juros, as novas alocações poderão significar investimentos com taxas abaixo das impostas pelas metas atuariais e, por isso, as fundações devem se movimentar em busca de investimentos de melhor retorno.

Para 80% dos entrevistados, a ideia é manter ou elevar as alocações em renda variável, sendo que 66% deles querem fazê-lo por meio de gestão terceirizada.

Investimentos em fundos de participações atraem 79% dos entrevistados, sendo que 70% desse grupo olha para o setor de infraestrutura; 95%, considera investir no exterior. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.