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Wells Fargo (WFCO34) tem queda de 31,25% do lucro líquido no 3T22

Os resultados do banco surpreenderam negativamente pois os analistas esperavam que se beneficiasse da alta das taxas de juros

Sede do Wells Fargo (WFCO34) (Justin Sullivan/Getty Images/Exame)

Sede do Wells Fargo (WFCO34) (Justin Sullivan/Getty Images/Exame)

A Wells Fargo (WFCO34) divulgou nesta sexta-feira, 14, os resultados do terceiro trimestre de 2022.

O Wells Fargo informou que a receita foi de US$ 19,50 bilhões, em alta de 3,55% em relação aos US$ 18,83 bilhões registrados no terceiro trimestre do ano passado.

Todavia, o lucro líquido diminuiu 31,25%, passando de US$ 5,12 bilhões no terceiro trimestre de 2021 para US$ 3,52 bilhões no mesmo período deste ano, já que os gastos passaram de US$ 13,30 bilhões no terceiro trimestre de 2021 para US$ 14,32 bilhões este ano, uma alta de 8%.

O Wells Fargo reservou US$ 784 milhões em provisões para dívidas duvidosas depois de reduzi-las em US$ 1,4 bilhão um ano atrás. A provisão incluiu um aumento de US$ 385 milhões na provisão para perdas com crédito, refletindo o crescimento dos empréstimos e um ambiente econômico menos favorável.

Para o CEO do Wells Fargo, Charle Scharf, "nosso sólido desempenho de negócios no terceiro trimestre foi significativamente impactado em perdas operacionais relacionadas a litígios, remediação de clientes e questões regulatórias relacionadas principalmente a diversos assuntos do passado. Estamos focados em aumentar nossa capacidade de lucro e vemos os impactos positivos do aumento das taxas de juros impulsionando o forte crescimento da receita líquida de juros e nosso foco contínuo em melhorar a eficiência operacional, resultando em despesas mais baixas, excluindo as perdas operacionais acima".

Scharf se referiu ao escândalo de contas falsas de 2016, que custou bilhões de dólares ao banco, e que poderia ter ainda consequências graves sobre suas contas. O Wells Fargo está operando sob uma série de limitações jurídicas por causa desse escândalo, incluindo uma imposta pelo próprio Federal Reserve (Fed), que limita o crescimento de seus ativos.

“Nossa principal prioridade continua sendo o fortalecimento de nossa infraestrutura de risco e controle, que inclui abordar questões históricas em aberto e questões identificadas à medida que avançamos neste trabalho. Como já dissemos várias vezes, continuamos em risco de contratempos enquanto trabalhamos para concluir o trabalho e deixar esses problemas para trás e as despesas deste trimestre refletem nossos esforços contínuos", disse Scharf.

Wells Fargo (WFCO34) muito dependente do mercado hipotecário

O Wells Fargo é o mais dependente de hipotecas dos seis maiores bancos dos EUA, e isso pressionou o balanço, já que as vendas e a atividade de refinanciamento caíram acentuadamente em meio às taxas de juros que chegaram a 6%. Os resultados trimestrais do Wells Fargo surpreenderam negativamente, pois com seu foco em atividades comerciais e de varejo deveria se tornar um dos grandes beneficiários de taxas de juros mais altas.

De fato, a receita líquida das operações de juros aumentou 36%, e a receita de imóveis comerciais aumentou 29%, principalmente devido ao impacto de taxas de juros mais altas e saldos de empréstimos mais altos, mas isso não conseguiu se reverter em uma alta dos lucros.

Segundo o CEO, "o Wells Fargo está bem posicionado, pois continuaremos nos beneficiando de taxas mais altas e gerenciamento de despesas disciplinado contínuo".

"Tanto os clientes consumidores quanto os clientes empresariais permanecem em uma condição financeira sólida, e continuamos a observar inadimplências historicamente baixas e altas taxas de pagamento em nossas carteiras. Estamos monitorando de perto os riscos relacionados ao impacto contínuo da alta inflação e do aumento das taxas de juros, bem como os riscos geopolíticos mais amplos e, embora esperemos ver aumentos contínuos na inadimplência e, finalmente, nas perdas de crédito, o momento permanece incerto”, salientou Scharf

As ações da Wells Fargo ficaram estáveis no pré-mercado desta sexta-feira, mas acumulam uma queda de cerca de 12% este ano, se saindo melhor do que o S&P 500, que caiu 22,86% e do KBW Bank Index, que caiu 25%.

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