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UBS dobra lucro no 2º tri, mas alerta para impacto das tarifas dos EUA

Banco suíço supera expectativas com gestão de fortunas e área de investimentos, mas adota tom cauteloso diante de incertezas comerciais e exigências de capital

 (Arnd Wiegmann/File Photo/Reuters)

(Arnd Wiegmann/File Photo/Reuters)

Publicado em 30 de julho de 2025 às 08h03.

O banco suíço UBS divulgou nesta quarta-feira, 30, um lucro líquido de US$ 2,395 bilhões no segundo trimestre, mais do que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado (US$ 1,14 bilhão).

O número superou as projeções dos analistas da LSEG, que estimavam US$ 1,901 bilhão de lucro, e foi impulsionado pelo desempenho das áreas de investimento e gestão global de fortunas.

Apesar da alta no lucro, as receitas totais ficaram em US$ 12,11 bilhões, ligeiramente abaixo da estimativa de US$ 12,45 bilhões.

Ainda assim, houve crescimento robusto nas áreas mais sensíveis à volatilidade dos mercados. A divisão de mercados globais do banco de investimento registrou alta de 25% nas receitas, para US$ 2,3 bilhões, impulsionada por fortes volumes de negociação no início do trimestre.

No braço de gestão de fortunas, houve avanço de 12% na receita transacional, com maior movimentação de clientes. Ao todo, a área atraiu US$ 23 bilhões em novos ativos líquidos, abaixo dos US$ 32 bilhões do trimestre anterior.

Por outro lado, a margem financeira líquida, ou seja, a diferença entre receitas com juros e os pagamentos sobre depósitos, recuou para US$ 1,965 bilhão, pressionada pela política monetária doméstica.

A queda reflete a decisão do banco central da Suíça, que reduziu os juros para 0% em junho. Para o terceiro trimestre, o UBS projeta que a margem permaneça estável em francos suíços e suba ligeiramente em dólares.

Efeitos das tarifas

Mesmo com o resultado positivo, o presidente-executivo Sergio Ermotti adotou tom cauteloso ao comentar o ambiente de negócios.

"Os clientes ainda estão em uma espécie de postura de espera — não apenas os institucionais e privados, mas também os corporativos. Há alocação de capital, mas o nível de convicção ainda não é suficiente para tornar o ambiente mais construtivo", disse em entrevista à CNBC.

Ermotti também afirmou que as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos devem impactar o consumo e a inflação. “As tarifas, e especialmente a incerteza, dificultam as coisas neste momento”, afirmou em nota.

Integração com o Credit Suisse

O UBS informou que a integração do Credit Suisse segue dentro do cronograma: cerca de um terço das contas de clientes suíços já foi migrado, e 70% das sinergias previstas — estimadas em US$ 13 bilhões — já foram implementadas.

Além disso, o banco concluiu US$ 1 bilhão em recompra de ações no primeiro semestre e planeja executar mais US$ 2 bilhões até o fim do ano.

No entanto, a instituição financeira enfrenta pressão crescente das autoridades suíças, que propõem novas regras de capital exigindo que ela mantenha US$ 26 bilhões adicionais em capital principal, após a aquisição da instituição rival.

Questionado sobre a proposta, Ermotti afirmou nesta quarta-feira: “Está muito claro para mim que precisaremos avaliar as propostas quando forem finalizadas e aprovadas. Só então consideraremos as ações apropriadas para proteger os interesses dos nossos acionistas."

Em relatório, analistas do Citi apontaram que, embora a margem financeira líquida tenha aparentemente atingido o fundo do poço e as metas financeiras tenham sido reiteradas, não houve atualização nos planos de retorno de capital, em meio às discussões regulatórias que devem continuar pressionando o banco nos próximos trimestres.

O UBS afirmou que espera um terceiro trimestre com atividade transacional e de mercado mais normalizada, em linha com padrões sazonais, e reforçou que continua comprometido com suas metas financeiras para este ano e para 2026.

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