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Tom dos comandos muda a resposta da IA? Estudos com vários modelos mostram resultados mistos (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 21 de outubro de 2026 às 18h01.
Dizer “por favor” a um chatbot melhora a resposta? Pesquisas recentes sobre inteligência artificial generativa testam se o tom de um comando, educado, neutro ou ríspido, interfere na qualidade do resultado. Para quem usa essas ferramentas em tarefas como redigir e-mails ou resumir documentos, a dúvida tem efeito prático.
Os estudos disponíveis não indicam uma regra única. Os resultados mudam conforme o modelo, o idioma e o tipo de tarefa, e parte das pesquisas ainda não passou por revisão por pares.
Um estudo da Universidade Estadual da Pensilvânia, assinado por Om Dobariya e Akhil Kumar, partiu de 50 perguntas-base, cada uma reescrita em cinco tons, do muito educado ao muito rude. O GPT-4o respondeu às 250 variações. Um comando educado era algo como “Pode analisar com gentileza o problema a seguir?”, enquanto o rude trazia “Ei, ajudante, resolva isso”.
O tom muito rude atingiu 84,8% de acertos, contra 80,8% do muito educado. O artigo ainda não foi revisado por pares, e análises críticas apontam que o teste usou um único modelo e poucas rodadas.Pesquisadores da Universidade Waseda e do instituto RIKEN, no Japão, avaliaram em 2024 o GPT-3.5 e o GPT-4 em inglês, chinês e japonês. Comandos mal-educados muitas vezes pioraram o desempenho, mas a polidez excessiva não garante resultados melhores, e o nível ideal de cortesia variou conforme o idioma.
Em 2025, o grupo de Ethan Mollick, da Wharton, comparou prefixos como “por favor, responda” e “eu ordeno que você responda” no GPT-4o e no GPT-4o mini. Cada condição foi testada 100 vezes em 198 questões de nível avançado, e os autores não encontraram evidência de efeito significativo entre as condições, salvo uma exceção no modelo menor. Eles também destacam que, em um mesmo modelo, pequenas mudanças podem gerar grandes variações.
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Um estudo com GPT, Gemini e Llama indicou que a sensibilidade ao tom depende do modelo e da área testada. O Gemini se mostrou comparativamente pouco sensível à variação.
Os testes de Penn State e Wharton usaram perguntas de múltipla escolha e questões acadêmicas, e não tarefas rotineiras como redigir e-mails ou resumir contratos. Por isso, os resultados não se estendem automaticamente ao dia a dia profissional.
Um exemplo prático: um analista pode pedir “Resuma este relatório em cinco pontos para a diretoria” em duas versões, uma cordial e outra seca, e comparar os resultados antes de padronizar o comando na equipe. Repetir o teste é útil, já que os resultados de um mesmo modelo podem variar mesmo quando a pergunta é a mesma.
As pesquisas seguem em andamento, e os resultados podem mudar a cada nova geração de modelos. Por enquanto, as evidências mostram que o tom pode influenciar o desempenho em alguns casos, mas o efeito é inconsistente e depende de modelo, idioma e tarefa.