Ibovespa: índice terminou a sexta-feira, 19, com alta de 0,26% (Paulo Whitaker/Reuters Internet)
Repórter
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 13h01.
O Ibovespa avança com força no terceiro pregão do ano, nesta terça-feira, 6, puxado principalmente pelo desempenho das ações de grandes bancos, que têm peso relevante na composição da referência acionária brasileira.
Às 12h10, o principal indicador da Bolsa brasileira subia 1,32%, retornando ao patamar dos 164 mil pontos, enquanto os papéis do setor bancário operavam em alta generalizada. As units, cesta de preferenciais e ordinárias, do BTG Pactual (BPAC11) avançavam 2,41%; as ações ordinárias, com direito a voto, do Banco do Brasil (BBAS3) subiam 1,01%.
Já as units do Santander (SANB11) tinham alta de 1,24%; e as preferenciais, com prioridade no recebimentos dos dividendos, do Bradesco (BBDC4) e do Itaú (ITUB4) registravam ganhos de 1,21% respectivamente.
Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o movimento positivo dos bancos já se repete pelo segundo pregão consecutivo e está inserido em um contexto mais amplo de recuperação da Bolsa.
"O setor bancário, pelo segundo dia consecutivo, a gente tem visto ele numa performance positiva. A Bolsa como um todo vem tendo uma recuperação. Acho que sexta-feira, o primeiro dia do ano, foi um dia talvez atípico, um pouquinho de realização, volume baixo", afirmou o operador em referência a queda de 0,36% do índice no primeiro pregão do ano, na sexta, 2.
Para Moliterno, apesar de o volume ainda estar reduzido, o ano começa com uma visão mais construtiva, especialmente do ponto de vista econômico, com a expectativa de início do ciclo de corte de juros.
Moliterno destaca que os sinais recentes de arrefecimento da inflação ajudam a sustentar essa leitura.
"Os índices de inflação têm dado sinais de arrefecimento, isso leva as expectativas do nosso início de corte de juros, o que reflete positivamente nos mercados. Consequentemente, o setor financeiro tem também tem uma performance positiva, uma vez que, com juros menores, impacta na inadimplência, dá facilidade para o credor pagar suas dívidas e de aumentar também as linhas de crédito dos bancos", afirmou.
Nesse ambiente, o setor financeiro, tradicionalmente visto como mais estável e com bom histórico de pagamento de dividendos, volta a atrair investidores, que aproveitam o recente recuo dos preços para recompor posições, contribuindo para a alta do mercado acionário como um todo, segundo o especialista.
Apesar da ligeira alta nas expectativas para a inflação de 2026, no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 5, com a projeção mediana do IPCA passando de 4,05% para 4,06%, desde janeiro, a meta de inflação passou a ser contínua, com centro em 3% e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Para 2025, a estimativa recuou de 4,32% para 4,31%, enquanto as projeções para 2027 e 2028 permaneceram estáveis em 3,80% e 3,50%, respectivamente.
No caso da política monetária, o mercado manteve a expectativa de Selic, a taxa básica de juros, em 12,25% ao fim de 2026, ante o nível atual de 15%.
Além do cenário macroeconômico, fatores regulatórios também têm influenciado o humor com as ações bancárias.
De acordo com Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, a principal notícia recente envolve o impasse entre o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Central no caso do Banco Master.
"A principal notícia que está influenciando no setor dos bancos hoje é que o TCU, apesar de estar tentando 'atrasar' a liquidação do Master, não tem o poder para impedir. Isso é um direito do BC", disse o especialista.
Segundo Mollo, mesmo com a tentativa de apuração, a percepção é de que a liquidação não será revertida, o que reduz a incerteza no setor e favorece a alta das ações. "Isso diminui a incerteza do setor e faz com que os bancos subam", afirmou.
O pano de fundo desse episódio envolve a decisão do Banco Central de recorrer de uma determinação monocrática de um ministro do TCU para realizar uma inspeção sobre o caso do Banco Master. A autoridade monetária argumenta que, pelo regimento interno do tribunal, esse tipo de decisão deve ser tomada de forma colegiada.
O bom momento das ações também se reflete nas carteiras recomendadas para janeiro de 2026. Os analistas iniciaram o ano com uma postura mais defensiva, privilegiando papéis considerados mais seguros, como os do setor financeiro e de exportadoras de commodities.
Nesse cenário, os bancos são vistos como empresas sólidas e eficientes, com menor volatilidade relativa mesmo em cenários adversos, o que os torna uma porta de entrada menos arriscada para a renda variável.
Esse apetite encontra respaldo no desempenho positivo recente dos papéis. Em 2025, as units do BTG Pactual avançaram 102,48%; o Santander acumulou alta de 52,39%; o Bradesco subiu 81,77%; e o Itaú registrou valorização próxima de 65%. Na contramão, o Banco do Brasil encerrou o ano passado com queda de 4,38%, destoando do desempenho positivo da maior parte do setor.