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Petrobras sobe 3,5% com reajuste e ameniza perdas do Ibovespa

Índice de referência da bolsa brasileira caiu 0,21% no fechamento, para 113.633 pontos, enquanto o dólar teve queda de 0,75%, para R$ 5,02

Ibovespa teve mais um dia de queda nesta quinta-feira, dia 10 de março (Germano Lüders/Exame)

Ibovespa teve mais um dia de queda nesta quinta-feira, dia 10 de março (Germano Lüders/Exame)

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Da Redação

Publicado em 10 de março de 2022 às 19h27.

Última atualização em 10 de março de 2022 às 19h42.

O Ibovespa encerrou em leve queda de 0,21%, aos 113.663 pontos, nesta quinta-feira, dia 10, reduzindo as perdas ao longo da tarde.

No fim da manhã, o índice de referência da bolsa brasileira chegou a operar abaixo dos 112.000 pontos diante de novo fracasso nas negociações de cessar-fogo entre Ucrânia e Rússia e preocupações sobre a inflação global. Já o dólar caiu quase 1% e voltou a se aproximar do patamar simbólico de 5,00.

No fechamento:
Ibovespa: -0,21%, aos 113.663,13 pontos
Dólar: -0,75%, a 5,02 reais

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O barril do petróleo do tipo Brent, cuja cotação chegou a arrefecer de 127 para 111 dólares na véspera, voltou a recuar e foi negociado abaixo de 110 dólares em Nova York. 

As ações da Petrobras (PETR3, PETR4) subiram respectivamente 2,80% e 3,50% nesta quinta, limitando a queda do Ibovespa.

A forte valorização se deu após a empresa anunciar pela manhã novo reajuste no preço da gasolina, do diesel e do GLP. A parcela da Petrobras no preço da gasolina subiu de 2,37 para 2,81 reais por litro vendido na bomba.

No preço médio do diesel, a participação da estatal saltou de 3,25 para 4,06 reais. Já o GLP vendido para as distribuidoras aumentou de 3,86 para 4,48 reais por quilo. São aumentos aproximadamente de 20%.

O anúncio do reajuste foi feito depois de reações negativas do mercado às sinalizações de interferência do governo na política de preços . Em apenas um pregão, nesta semana, os papéis da estatal chegaram a cair 7%. Apesar da recuperação desta quinta, a ação ainda acumula queda na semana.

Petrobras (PETR4): +3,50%
Petrobras (PETR3): +2,80%

O reajuste, favorável à rentabilidade da companhia, aumenta ainda mais a pressão sobre a inflação. "Os reajustes vão representar 0,71 ponto percentual do IPCA. Estimamos que o preço da Petrobras ainda tem cerca de 10% de defasagem na gasolina, o que não deve ser corrigido no curto prazo", disse Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Nos Estados Unidos, o Índice de Preço ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de janeiro, divulgado pela manhã, acelerou de 7,5% para 7,9% na comparação anual, como previam economistas.

Mas o núcleo do CPI, que exclui as categorias mais voláteis de energia e alimentos e é referência para a política do Federal Reserve, surpreendeu, passando de 6% para 6,5%. A expectativa era a de leve queda para 5,9%.

Os principais índices americanos chegaram a cair perto de 1%, mas também amenizaram as perdas ao longo do dia.

No fechamento:

S&P 500 (EUA): -0,43%
Dow Jones (EUA): -0,34%
Nasdaq (EUA): -0,95%

No Ibovespa, as maiores altas foram mais uma vez de empresas de commodities. Pelo lado negativo, a Embraer (EMBR3) liderou as quedas, com recuo de 14,93% após a divulgação do balanço do quarto trimestre pela manhã.

A fabricante de aeronaves registrou lucro líquido ajustado de R$ 327,2 milhões no quarto trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 70,3 milhões no mesmo período de 2020. Mas o guidance para 2022 decepcionou parte do mercado.

"A empresa deu um guidance um pouco mais fraco do que o esperado, já que o setor aéreo deve se recuperar de forma mais lenta do que o imaginado", disse Luiz Temporini, analista do BTG Pactual, no programa Abertura de Mercado desta quinta.

A Embraer informou que prevê entregar neste ano de 60 a 70 aviões comerciais, de 100 a 110 jatos executivos e obter receita líquida entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões.

Embraer (EMBR3): - 14,93%

Já a ação da Natura, que havia disparado 16% na sessão anterior, com investidores se antecipando ao resultado divulgado na última noite, teve queda de 9,30%. A empresa de cosméticos registrou lucro líquido aos acionistas de R$ 695 milhões no último trimestre, com 292% de crescimento na comparação anual. O resultado, segundo a Natura, foi impulsionado por novos ganhos de sinergias com a Avon. 

As sinergias, segundo Temporini, são o que sustentam a recomendação de compra do BTG Pactual para os papéis da Natura. O analista, no entanto, ponderou que o cenário de curto prazo segue desafiador para a companhia, com a alta de juros diante da inflação também elevada e da piora esperada de suas vendas no Leste Europeu.

Natura (NTCO3): -9,30%

As ações da Via (VIIA3) também reagiram negativamente ao balanço do quarto trimestre. A companhia que é dona das marcas Casas Bahia e Ponto (Ex-Pontofrio) teve lucro líquido operacional de R$ 125 milhões, 73,4% abaixo do quarto trimestre de 2020.

O resultado foi influenciado negativamente por processos trabalhistas contra a empresa e "outros créditos não recorrentes". Esses efeitos, segundo a Via, corroeram mais de R$ 400 milhões do lucro trimestral. As vendas físicas caíram 24%.

"Ventos macroeconômicos contrários, ambiente competitivo acirrado e o foco na preservação da rentabilidade ainda implicam perspectivas desafiadoras de curto prazo para a Via", disseram analistas do Itaú BBA em relatório.

Via (VIIA3): -4,11%

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