Invest

Petrobras: lucro cai 7% e receita fica estável apesar de petróleo mais caro no 1º tri

Com 81 mil barris por dia em trânsito ao fim do trimestre, companhia deve sentir impacto do petróleo mais caro a partir do 2T26

Petrobras: lucro de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026 (CFOTO/Future Publishing/Getty Images)

Petrobras: lucro de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026 (CFOTO/Future Publishing/Getty Images)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 11 de maio de 2026 às 20h34.

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 7,2% na comparação anual. O número inclui um ganho cambial de R$ 12,3 bilhões, resultado da valorização do real frente ao dólar no período. Excluindo esse e outros itens não recorrentes, o lucro líquido ajustado ficou em R$ 23,8 bilhões, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025.

A receita de vendas somou R$ 123,7 bilhões, uma leve alta de 0,4% na comparação anual. O desempenho modesto ocorre apesar do barril de petróleo 6,5% mais caro.

Os efeitos da alta da matéria-prima ainda não apareceram no balanço. Há uma defasagem natural entre o embarque do petróleo e o reconhecimento da receita, que ocorre apenas quando o navio chega ao porto de destino. No mercado asiático, principal destino das exportações brasileiras, o preço é calculado com base nas cotações do mês anterior à chegada da carga.

Com 81 mil barris por dia ainda em trânsito ao fim do trimestre, a Petrobras deve sentir o impacto do petróleo mais caro a partir do segundo trimestre de 2026.

As exportações cresceram 27,2% nos três primeiros meses do ano. No mercado interno, os preços dos derivados caíram 9,8%.

O segmento de Refino, Transporte e Comercialização foi o destaque, com receita de R$ 117,2 bilhões, alta de 0,3% na comparação anual.

A Exploração e Produção gerou R$ 84 bilhões, queda de 4,7%. A retração reflete exatamente a defasagem nas exportações de petróleo bruto citada acima.

Gás e Energias de Baixo Carbono somou R$ 11,6 bilhões, alta de 6,7%, impulsionada pelo aumento da oferta de gás natural nacional e pelas maiores vendas de energia elétrica.

O Ebitda ajustado ficou em R$ 61,7 bilhões, queda anual de 1%. A margem foi de 48% sobre a receita líquida. O Refino foi o segmento de maior crescimento, com EBITDA de R$ 20,2 bilhões ante R$ 6,2 bilhões um ano antes. O segmento de Exploração e Produção gerou R$ 54,2 bilhões, queda de 7,2%.

Investimentos pesados no pré-sal

Os investimentos totalizaram US$ 5,1 bilhões, alta de 25,6% na comparação anual. Exploração e Produção concentrou 87% do total. O crescimento reflete o avanço das obras no pré-sal, com destaque para os campos de Búzios e Sépia. A plataforma P-79 entrou em operação em maio, antes do prazo previsto.

A dívida bruta chegou a US$ 71,2 bilhões, alta de 10,4% em relação a março de 2025. A dívida líquida ficou em US$ 62,1 bilhões. O crescimento reflete as captações realizadas para financiar o ciclo de investimentos. O prazo médio da dívida é de 11,3 anos e o custo médio é de 6,8% ao ano.

O índice de alavancagem ficou em 1,43 vez o EBITDA dos últimos 12 meses, estável na comparação anual.

O fluxo de caixa operacional somou R$ 44 bilhões, queda de 10,9% ante o 1T25. O recuo foi causado pelo aumento dos estoques e pela piora no prazo de pagamento a fornecedores. O fluxo de caixa livre ficou em R$ 20,1 bilhões.

Acompanhe tudo sobre:PetrobrasPetróleoBalanços

Mais de Invest

Quando o desejo dele em 'administrar melhor o seu dinheiro' vira violência patrimonial

Elon Musk chega a US$ 1 trilhão enquanto bilionários acumulam US$ 20 trilhões

Quando uma chimpanzé e um gato superaram investidores na bolsa

BTG Pactual aposta na ampliação de programa de fidelidade e usuários podem comprar pontos pelo app