'Não vamos vender viagens a qualquer preço', diz CEO da CVC

Leonel Andrade disse que volume de vendas não será a principal preocupação da empresa para os próximos trimestres
Leonel Andrade: CEO da CVC (Exame/Germano Lüders)
Leonel Andrade: CEO da CVC (Exame/Germano Lüders)
Por Guilherme GuilhermePublicado em 11/05/2022 15:55 | Última atualização em 13/05/2022 10:44Tempo de Leitura: 3 min de leitura

O volume das reservas confirmadas pela CVC (CVCB3) no primeiro trimestre saltou 110,5% na comparação anual para 2,8 bilhões de reais. A companhia de turismo, porém, poderia ter vendido muito mais viagens no período. Isso foi o que afirmou Leonel Andrade, CEO da CVC, em conversa com investidores nesta quarta-feira, 11, sobre o resultado da empresa.

“Tenho visto muitas empresas vendendo sem fazer conta. Isso não perdura, porque no fim do dia o que manda é a margem e rentabilidade. [...]  Não vamos vender a qualquer preço ou sem qualidade”, disse Andrade. 

Nenhum funcionário da empresa, segundo ele, tem recebido incentivos para aumentar o volume de vendas. “A gestão financeira e do take rate tem sido mais preponderantes. Se não olharmos para isso será impossível termos boa performance.”

O take rate, que é basicamente a fatia média da CVC em cada uma de suas vendas, terminou o trimestre em 9,7%, 0,6 ponto percentual acima do trimestre anterior. O resultado consolidado foi impulsionado pela margem das operações brasileiras, que ficou em 15% nos serviços prestados ao consumidor final. 

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“Não vejo risco de take rate para os próximos trimestre. Deve se manter, no mínimo, na ordem de grandeza atual”, afirmou o CEO da CVC.

Andrade também ressaltou que a venda desenfreada de viagens poderia adicionar pressão sobre o caixa da empresa, que, segundo ele, tem sido gerido de forma “extremamente conservadora”. “A retomada muito forte [da demanda por viagens] implica em uma grande necessidade de caixa. Não vamos abrir mão de margem e nem de nossa saúde financeira.”

Durante o primeiro trimestre, a empresa consumiu menos de 3% do caixa, encerrando o período com R$ 779,4 milhões. A empresa, por sinal, planeja captar ainda mais recursos com a 6ª emissão de debêntures, aprovada pelo conselho da empresa na última terça-feira, 10. A expectativa é levantar cerca de R$ 995 milhões, que devem contribuir para o alongamento da dívida. 

Inflação e demanda

Embora considere os preços de passagens aéreas “absurdamente caras” para consumidor, o CEO da CVC não espera que a alta de custos afete a demanda por viagens, pelo menos, até o início do terceiro trimestre. 

“Os preços devem continuar caros e as vendas altas. Não acredito que vão deixar de viajar porque a viagem está muito cara. O que pode haver é uma adequação de produtos. Em vez de fazer uma viagem de dez dias, faz uma de seis dias. Ainda vemos os próximos trimestres com vendas muito positivas.”

Andrade pontua, porém, que a possível piora de cenário pode afetar o desempenho da empresa, principalmente, a partir de julho. “Pode haver muito impacto do cenário econômico, com desemprego, alta do dólar e crédito escasso ou muito caro.”

As ações da CVC caíram cerca de 4% após a divulgação do resultado, impactado por efeitos não recorrentes. No ano, os papéis da companhia acumulam cerca de 10% de queda.