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Modelo de IA da Anthropic leva Tesouro e Fed a reunir grandes bancos nos EUA

Powell e Bessent reuniram emergencialmente CEOs do Citigroup, Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America e Wells Fargo para discutir os riscos do Claude Mythos

IA: modelo da Anthropic revela falhas invisíveis em sistemas globais. (sauloangelo - stock.adobe.com)

IA: modelo da Anthropic revela falhas invisíveis em sistemas globais. (sauloangelo - stock.adobe.com)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 10 de abril de 2026 às 10h37.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos foi palco de um encontro fora do roteiro habitual de Washington, envolvendo a inteligência artificial, na última terça-feira, 7. Com convocação de última hora, o secretário Scott Bessent e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reuniram os chefes dos maiores bancos americanos para discutir sobre a Anthropic.

O tema migrou dos laboratórios de tecnologia para o centro das preocupações regulatórias, envolvendo o potencial destrutivo do novo modelo de IA da empresa por trás do Claude.

O modelo em questão, batizado de Claude Mythos, ainda não está disponível ao público em geral, e a Anthropic o mantém sob acesso um tanto quanto restrito desde o início, segundo apuração da Bloomberg.

Trata-se de um sistema capaz de mapear e explorar brechas de segurança em praticamente qualquer sistema operacional ou navegador relevante do mercado. Nas mãos erradas, o risco é considerável.

A reunião tentou certificar que as instituições financeiras de maior peso global já estão reforçando suas defesas diante dessa nova realidade. Estiveram presentes os presidentes-executivos Jane Fraser, do Citigroup; Ted Pick, do Morgan Stanley; Brian Moynihan, do Bank of America; Charlie Scharf, do Wells Fargo; e David Solomon, do Goldman Sachs.

Porta-vozes dos bancos não comentaram o assunto à Bloomberg, assim como a Anthropic, que também não se manifestou. O JP Morgan não participou da reunião.

Dado o peso dessas instituições no sistema financeiro global, qualquer crise envolvendo esses bancos teria potencial de gerar efeitos em cadeia sobre a economia mundial — o que ajuda a explicar o nível de preocupação.

O vazamento que antecipou tudo

Antes de a reunião vir à tona, já havia sinais públicos de que o Mythos era tratado internamente como um produto fora do padrão.

No fim de março, documentos internos da Anthropic haviam sido expostos acidentalmente em um repositório público. Um erro humano na configuração do sistema de gerenciamento de conteúdo.

O material vazado descrevia o Mythos como superior ao Claude Opus 4.6, atual topo de linha da companhia, nas frentes de programação, raciocínio acadêmico e cibersegurança.

O documento apontava, ainda, que o modelo poderia antecipar uma nova geração de ferramentas de ataque digital, mais rápidas do que as defesas existentes são capazes de responder.

A Anthropic selecionou um grupo restrito de parceiros para ter acesso antecipado ao modelo — entre eles Amazon, Apple e JP Morgan —, todos integrados ao que a companhia chama internamente de "Projeto Glasswing".

A dona do Claude destacou, também, que manteve diálogo com autoridades americanas antes do lançamento restrito, justamente para discutir o duplo potencial do modelo, que serviria como defesa e ataque.

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