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IPO da Porsche pode ser decidido nesta segunda-feira e movimentar € 85 bilhões

O Conselhos de Administração da Volkswagen se reuniu nesta segunda para decidir sobre a tão esperada listagem da casa automotiva de luxo alemã

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IPO da Porsche (Porsche/Exame)

IPO da Porsche (Porsche/Exame)

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Carlo Cauti

Publicado em 5 de setembro de 2022 às, 18h32.

Última atualização em 19 de setembro de 2022 às, 08h58.

A realização da oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da Porsche será decidida nas próximas horas.

Os Conselhos de Administração e de supervisão da Volkswagen se reuniram nesta segunda-feira, 5, para decidir sobre a tão esperada listagem da casa automotiva de luxo alemã.

O anúncio do IPO da Porsche pode ser iminente, apesar dos ventos contrários que sopram nos mercados, podendo ser realizada entre o final de setembro e o final de outubro.

A oferta será orientada em primeiro lugar para investidores de varejo em países europeus como França, Espanha e Itália, em um esforço para aproveitar a maior base de fãs da Porsche.

Mas mesmo com a abertura ao mercado, o controle da empresa vai continuar nas mãos das poderosas famílias Porsche e Piëch, conforme um acordo assinado em fevereiro deste ano.

Até porque, se tudo correr conforme os planos, a Porsche SE (holding já listada na Bolsa de Valores de Frankfurt) vai adquirir 25% mais uma ação ordinária da Porsche Ag, a empresa que será listada, a um preço acrescido de 7,5% face às ações preferenciais, mantendo assim a maioria absoluta dos direitos de voto não apenas na Volkswagen, mas também na Porsche.

A holding Porsche SE já controla 31,4% das ações da Volkswagen com 53,3% dos direitos de voto.

Além disso, existe um denominador comum muito forte nisso tudo, ou seja a garantia do novo CEO do grupo Volkswagen, Oliver Blume, no cargo desde o 1º de setembro, que apesar do descontentamento de alguns investidores vai manter o comando também da Porsche.

Como será realizado o IPO da Porsche?

Caso os Conselhos de Administração aprovem a operação, iniciará o período de quatro semanas para a realização da listagem, período no qual os interessados poderão realizar a compra das ações.

O capital da Porsche será dividido entre 50% de ações ordinárias e 50% de ações preferenciais. Mas o IPO vai então colocar no mercado somente 25% das ações preferenciais da casa automotiva de Zuffenhausen, o que equivale a apenas 12,5% do capital total da Porsche, com um valor que pode chegar até € 10,6 bilhões.

Na operação será distribuído um dividendo especial, além de um bônus para os funcionários de todo o grupo.

As dúvidas dos investidores

As negociações iniciais sobre a listagem da Porsche foram divulgadas em 24 de fevereiro, mesmo dia em que o exército russo invadiu a Ucrânia.

Inicialmente, as estimativas falavam de uma possível avaliação da Porsche em € 100 bilhões, mais do que todo o grupo Volkswagen que vale € 83,6 bilhões. Entretanto, ao longo dos meses o valor foi diminuindo, chegando a cerca de € 85 bilhões. Mesmo assim, mais do que a Volkswagen.

Segundo a Bloomberg, a demanda ultrapassaria a oferta de ações. Entre os grandes investidores estariam o fundo americano T Rowe Price Group e a Qatar Investment Authority, o fundo soberano do Qatar que já é acionista da Volkswagen Ag com 10,5%.

O interesse de bilionários famosos também foi avaliado, incluindo o fundador da fabricante de bebidas energéticas Red Bull, Dietrich Mateschitz e o presidente da LVMH, o francês Bernard Arnault.

Todavia, algumas questões permanecem sobre por que a operação será realizada apesar do momento conturbado dos mercados financeiros. Especialmente em um contexto de inflação em alta e com a decisão da Rússia de interromper o fornecimento de gás para a Europa.

Um momento que parece muito perigoso para uma estreia na Bolsa de Valores.

Mas a Volkswagen já deixou claro que repetidas vezes que este IPO é fundamental para financiar sua transição energética em direção dos carros elétricos, com o objetivo de eletrificar 80% de sua produção até 2030, com um custo previsto em € 52 bilhões.

A ideia é repetir o mesmo sucesso da chegada na Bolsa de Valores da Ferrari, em 2015.

O status da Porsche como uma marca de luxo capaz de elevar os preços sem perder clientes a torna uma "máquina de dinheiro" para o grupo alemão.

No primeiro semestre de 2022, a Porsche viu o lucro líquido subir 31%, atingindo € 3,24 bilhões. A previsão para o ano fiscal atual permanece inalterada com um lucro líquido entre € 4,1 bilhões e € 6,1 bilhões.

Tanto as ações da Volkswagen quanto as da Porsche SE caíram na Bolsa de Valores de Frankfurt nesta segunda-feira, 5, perdendo cerca de 4% cada. Ulterior sinal do clima gelado nos mercados acionários.

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