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Bolsa fecha estável, dividida entre queda NY e Lei das Estatais barrada no Senado

Petrobras e Banco do Brasil se recuperam após notícia de que mudança na Lei das Estatais pode ser barrada no Senado

Painel de cotações da B3 (NurPhoto/Getty Images)
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Guilherme Guilherme

Publicado em 15 de dezembro de 2022 às 10h45.

Última atualização em 15 de dezembro de 2022 às 18h24.

O Ibovespa encerrou esta quinta-feira, 15, dividido entre a influência negativa do mercado internacional e o otimismo dos investidores locais com as negociações sobre a Lei das Estatais no Senado.

O principal índice da B3 chegou a subir 1,67% na máxima, impulsionado pelo cenário político, mas perdeu força acompanhando a deterioração das bolsas americanas. Os principais índices dos Estados Unidos caíram mais de 2%, assim como o Stoxx 600, índice pan-europeu.

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O pano de fundo para a derrocada foram as elevações de juros nas principais economias do mundo. Nesta manhã, o Banco Central Europeu (BCE) e o Bank of England (BoE) subiram suas taxas em 0,50 ponto percentual.

A magnitude foi a mesma da realizada pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) em decisão da última tarde, quando suavizou o ritmo do ajuste após quatro altas de 0,75 p.p. seguidas.

As altas de juros já eram amplamente esperadas pelo mercado, mas o tom dos comunicados preocupa investidores.

"O discurso do Fed foi mais duro do que imaginava. A inflação tem melhorado, mas eles ainda estão preocupados. Vão subir juros e manter a taxa em patamar elevado até terem certeza de que a inflação está convergindo para a meta", disse Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master, em morning call.

Leia também: BCE sobe juro em 0,5 p.p. e prevê inflação mais alta na Europa neste e nos próximos anos

Senado segura queda do Ibovespa

Diante da repercussão negativa sobre a proposta de mudança na Lei das Estatais, a matéria não foi levada a plenário no Senado e pode não ser votada nesta quinta-feira, 15, como era previsto. Investidores reagiram com otimismo, que segurou o Ibovespa no positivo por boa parte do pregão.

Segundo um senador ouvido pela EXAME, os membros do Senado querem uma discussão "menos apressada" sobre o assunto, que pode até levar a alguma mudança na quarentena, porém provavelmente "menos radical" do que a aprovada na Câmara.

A Lei das Estatais foi criada em 2016, na gestão Temer, para impedir indicações políticas para cargos nas empresas públicas. A legislação entrou nos holofotes do mercado esta semana como alternativa para que o governo eleito pudesse colocar o petista Aloizio Mercadante para o comando do BNDES.

Petistas, no entanto, dizem que a mudança não faria diferença na indicação de Mercadante e que a demanda pela mudança da Lei é dos próprios políticos do Centrão.

Leia também: Sem acordo no Senado, mudanças na Lei das Estatais podem não ser votadas este ano

A possibilidade da alteração ser barrada no Senado ajuda as ações de empresas do governo. A Petrobras, que chegou a cair quase 10% na véspera após a Câmara ter aprovado a mudança, hoje fechou em firme alta, chegando a subir mais de 4% na máxima. As ações do Banco do Brasil também avançaram, quebrando a sequência de seis quedas seguidas.

Oi salta 50%

Fora do Ibovespa, as ações da Oi (OIBR3/OIBR4) saltaram 50%, após a Justiça ter decretado o fim da recuperação judicial (RJ) da companhia. A notícia é muito importante para a companhia. Depois de vários anos e um processo super complexo, a Oi conseguiu colocar um ponto final na recuperação judicial", afirmou Fabiano Vaz, sócio e analista de ações da Nord Research.

Além de completar um dos requisitos (não estar em RJ) para voltar a integrar índices da B3, Vaz comentou que, agora, há maior chance de a empresa conseguir empréstimos mais baratos. "Isso possibilitaria o alongamento e barateamento da dívida."

Leia também: Justiça encerra processo de recuperação judicial da Oi

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