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GPA acelera ritmo de expansão e afasta possibilidade de venda

Com o objetivo de abrir 70 unidades no ano, 40 inaugurações devem acontecer no quarto trimestre

GPA: no novo momento do grupo, Pão de Açúcar volta a ser centro de investimentos e ter oferta de serviço premium (Nacho Doce/Reuters)

GPA: no novo momento do grupo, Pão de Açúcar volta a ser centro de investimentos e ter oferta de serviço premium (Nacho Doce/Reuters)

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Raquel Brandão

30 de novembro de 2022, 13h37

Com balões e bandeiras, o GPA (PCAR3), varejista dono das bandeiras supermercadistas Pão de Açúcar e Extra, inaugurou sua 11ª loja em novembro, na zona sul de São Paulo. O ritmo acelerou. Com o objetivo de abrir 70 unidades, 40 inaugurações devem acontecer só no quarto trimestre. Pode parecer muito, mas faltam apenas 20 inaugurações, observa Marcelo Pimentel, CEO que assumiu a varejista em março deste ano a fim de consolidar o que seria o novo GPA.

O forte investimento em expansão física, altamente concentrado na bandeira Pão de Açúcar, não vai diminuir, garante o executivo. "Sem o impacto das reformas de conversão de hipermercados Extra em unidades do Pão, o investimento vai ser semelhante ou marginalmente melhor esse ano", diz. "Existem algumas coisas que não podem esperar. A expansão física no primeiro semestre é o tipo de investimento que não vamos parar", acrescenta contextualizando o desafio de continuar aplicando recursos em meio a um ambiente macroeconômico ainda desafiador. Para 2023, mais de 50% dos pontos de novas lojas já estão mapeados.

É com base nesses investimentos, que vêm na esteira de um novo modelo de loja e de intensificação da digitalização da operação, que Pimentel acredita que o GPA deve começar a recuperar valor. Hoje, segundo ele, o ativo está muito desvalorizado. A ação está negociada a R$ 19,99 no fim da manhã desta quarta-feira, 30, num valor de mercado de R$ 5,39 bilhões.

Por isso, diferentemente do Assaí, no qual o grupo francês Casino vendeu uma fatia de 12,7% de sua participação por R$ 2,67 bilhões, o executivo afasta um desinvestimento do controlador nesse momento. "Não tenho conhecimento [de venda pelo Casino]. O momento não é de mexer em GPA, o ativo está muito desvalorizado. É momento de fazer investimento para trazer valor", argumenta.

Pão de Açúcar, a joia da coroa

Todas as apostas estão em torno da bandeira Pão de Açúcar, com objetivo de recuperar o perfil "premium" que a bandeira tinha. "Objetivo é de que o GPA volte a ser a joia da coroa", diz. Para isso, o grupo está retomando alguns "luxos" que já não se via mais na operação: na área de vinhos, por exemplo, os especialistas voltaram para recomendar rótulos aos clientes; nos caixas, são os empacotadores que voltam.

As lojas também ganharam maior área de serviços, como café, pizza, massas e sushis, e de alimentos frescos e perecíveis, que ultrapassam os 50%. Nesse contexto, explica Pimentel, foi preciso "consertar fundamentos". Um deles foi a revisão de sortimentos, o que ajudou, conta ele, a reduzir o custo de capital com estoques e o índice de perda de produtos. Outro fator que o grupo tem perseguido é a redução da ruptura, o que é ainda mais desafiador nesse modelo de maior participaçao de perecíveis e renovação de estoque com maior frequência.

As mudanças começaram em 30 lojas do Pão de Açúcar, agora vão ser ampliadas para 50 lojas - tudo parte de um processo de "turnaround" cuja a conclusão é esperada só para 2024 e que deve colocar o Pão de Açúcar cada vez mais representativo dentro do universo do GPA. A meta, num primeiro momento, é ser mais de 50% de venda e rentabilidade (margem Ebitda) de todo o grupo, conta Pimentel.