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Estrangeiro e pessoa física compram Ibovespa em terça 'sangrenta'

Fundos locais foram o que mais desmontaram posição no índice, com saldo vendedor de R$ 162,9 milhões no dia

Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)

Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)

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Guilherme Guilherme

14 de setembro de 2022, 15h49

Investidores estrangeiros e pessoas físicas aumentaram suas posições em Ibovespa futuro no pregão de terça-feira, 13, enquanto bolsas caminhavam para a maior queda desde 2020 nos Estados Unidos e o dólar disparava no mundo todo. Dados de inflação mais fortes que o esperado para a economia americana e perspectivas de juros mais altos do Federal Reserve desencadearam duras perdas em mercados do mundo inteiro. Os índices de Wall Street S&P 500 e e Nasdaq desabaram 4,32% e 5,16%, respectivamente. No Brasil, o Ibovespa caiu 2,30%.

Apesar do pessimismo global, o saldo comprador de estrangeiros em futuro do Ibovespa ficou em R$ 154,48 milhões na terça, segundo informações da plataforma TradeMap. Pessoas físicas também aproveitaram as quedas de terça para aumentar as apostas no futuro do Ibovespa em R$ 5,4 milhões.

O aumento dos aportes no principal índice da B3 vai em linha com a entrada de fundos internacionais neste ano. Até 12 de setembro, os estrangeiros haviam colocado R$ 86,58 bilhões na bolsa, mais que o dobro de todo o capital externo que entrou em 2021, quando o saldo foi de R$ 41,54 bilhões. A maior parte veio ainda no início do ano, quando, diante de preços de commodities mais altos, o mercado brasileiro ganhou a preferência no exterior.

Tamanha é a aposta do estrangeiro nas ações do Brasil que sua taxa de participação na B3 está no maior nível dos últimos anos, acima de 53%. A participação de pessoas físicas na bolsa, por outro lado, está no menor patamar, pelo menos, desde 2019.

Fundos vendem Ibovespa

Dados do TradeMap apontaram que as vendas de Ibovespa futuro foram lideradas pelos investidores institucionais, classe formada pelos fundos locais. No pregão de ontem, eles venderam R$ 162,9 milhões a mais do que compraram.

Os institucionais têm sido os maiores vendedores de bolsa no ano -- o que não significa, necessariamente, que tenham piorado a percepção sobre o mercado local. Os principais fatores por trás do movimento são derivados de taxas de juros mais altas no país.

Com os juros mais altos e a renda fixa mais atrativa, fundos multimercados e de ações tiveram que vender o que tinham em carteira para honrar com os pedidos bilionários de resgate. Até julho, fundos de ações acumulavam no ano captação líquida negativa de R$ 50,45 bilhões e os multimercados, de R$ 73,40 bilhões, segundo dados da Anbima.