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O que esperar dos balanços do 3º trimestre das empresas dos EUA

Os mercados estão aguardando os resultados das empresas em meio a incerteza macroeconômica, política monetária restritiva, crises geopolíticas, Super Dólar e inflação

Estatua do Touro da Bolsa de NY - NYSE - The New York Stock Exchange - Bolsa New Yorque - Wall Street - Nova Iorque - Pregão - Internacional - juros - americano - EUA Foto: Leandro Fonseca data: setembro 2022 (Leandro Fonseca/Exame)

Estatua do Touro da Bolsa de NY - NYSE - The New York Stock Exchange - Bolsa New Yorque - Wall Street - Nova Iorque - Pregão - Internacional - juros - americano - EUA Foto: Leandro Fonseca data: setembro 2022 (Leandro Fonseca/Exame)

A partir desta sexta-feira, 14, vai começar a temporada de divulgação de balanços do terceiro trimestre das empresas do Estados Unidos.

Conforme a tradição, quem vai abrir as danças serão os maiores bancos americanos, com JPMorgan (JPMC34), Wells Fargo (WFCO34) e Citigroup (CTGP34), para continuar na segunda-feira, 17, com o Goldman Sachs (GSGI34).

A expectativa dos analistas é que os balanços das empresas vão continuar crescendo, mesmo se pouco. De acordo com as previsões da FactSet, os resultados vão continuar sendo positivos, com um crescimento de 2,4%, mesmo com o espectro da crise econômica e com as tensões geradas pelo aperto anti-inflacionário muito agressivo na política monetária.

Entretanto, mesmo se os resultados vão manter um território positivo, são muito menores do que a previsão de julho, que indicava um aumento de 10%.

Previsão semelhante a de outra previsão, a da Refinitiv, que espera aumentos nos lucros trimestrais de 4,1%, muito menor do que os 11,1% esperados em julho.

O consenso do mercado indica as seguintes previsões:

  • JP Morgan : Receita de US$ 31,99 bilhões
  • Morgan Stanley : Receita de US$ 13,23 bilhões
  • Citigroup : Receita de US$ 18,23 bilhões
  • Goldman Sachs : Receita de US$ 11,53 bilhões

Bancos americanos estão preparados para enfrentar

Essa redução do crescimento, todavia, poderia ser influenciada pelo fato que no ano passado o setor registrou taxas de crescimento recordes. O mercado passará, portanto, dos grandes lucros de 2021 para uma perspectiva mais "moderada", em virtude da profunda incerteza do contexto macroeconômico e internacional.

De qualquer forma, os gigantes bancários americanos têm uma diversificação muito acentuada de seus ativos. Um fator positivo que lhe permite de gerenciar as fases de desaceleração econômica.

Se a divisão do banco de investimento está em apuros (e não poderia ser diferente considerando a situação geral), as divisões de bancos de varejo e comerciais estão mais em saúde, e continuam a obter fortes ganhos graças à situação de alta volatilidade que caracteriza os mercados e graças as taxas de juros do Federal Reserve (Fed), que aumentam a rentabilidade dos empréstimos concedidos.

As perspectivas de continuidade da política monetária agressiva do Banco Central americano são mais um fator de sustentação das atividades de varejo dos bancos.

Além do Fed e da crise geopolítica, dólar forte não ajuda

Olhando além do setor bancário e de suas especificidades, no caso dos balanços do terceiro trimestre é difícil chegar a uma previsão inclusiva para toda Wall Street, considerando a heterogeneidade das empresas listadas nos EUA.

A história mostra que durante as fases de recessão os lucros tendem a cair em média 29,5% (ou 18,7% se não forem considerados casos de bolhas, como a pontocom ou a crise dos Subprime).

A partir disso, pode-se supor que os resultados trimestrais serão inferiores aos anteriores. E a razão não está ligada tanto a recessão, mas ao dólar muito forte, que acaba prejudicando o resultado de muitas empresas que operam no exterior. Como por exemplo as Big Techs, que obtêm mais de 50% de seu faturamento fora dos Estados Unidos, poderiam registrar o piores atuações.

Mas o Super Dólar, embora seja um problema concreto, não ocupa o primeiro lugar na lista de preocupações dos analistas. A inflação, o imposto mais cruel que corrói tanto o poder de compra dos consumidores quanto as margens das empresas, é o fator destinado a pesar mais sobre a lucratividade da América Corporativa.

As ações de alguns grandes nomes do índice S&P 500 já descontaram, nos últimos dias, as previsões mais pessimistas dos resultados. Na última sexta-feira, "pregão-pesadelo" em Wall Street, fomentado pela publicação do relatório de emprego dos EUA, foi uma antecipação do que poderia ocorrer nos próximos dias.

Naquela ocasião, a protagonista (negativa) foi a AMD-Advanced Micro Devices, cujas ações colapsaram ao longo do dia. Mas já três semanas atrás outro gigante da economia real dos EUA, a FedEx, tinha sofrido o mesmo destino. Ambas penalizadas pela redução dos negócios.

Mas além dos números do terceiro trimestre, o que vai orientar as Bolsas de Valores em Wall Street e no mundo serão as estratégias que os CEOs indicarão para o quarto trimestre e talvez também para 2023 .

No final, esta temporada de resultados nos EUA será um teste interessante, e útil, para entender o que os principais executivos estão dizendo e quanta visibilidade há para vendas e lucros futuros.

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