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Dólar cai pela quinta sessão seguida e chega a valer R$ 5,11

Moeda americana atinge o menor nível desde abril de 2024, pressionada por perda de força global e diferencial de juros que favorece o real.

Dólar: moeda chegou a R$ 5,11 na mínima do dia ( user3222645/Freepik)

Dólar: moeda chegou a R$ 5,11 na mínima do dia ( user3222645/Freepik)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 09h36.

Última atualização em 25 de fevereiro de 2026 às 12h21.

O dólar abriu a quarta-feira, 25, em queda superior a 0,40%, chegando aos R$ 5,13 já pela manhã, às 9h30 (horário de Brasília). Com isso, a moeda americana chega ao menor patamar em quase dois anos. A última vez que o dólar havia fechado em um patamar inferior a esse foi no final de abril de 2024. Na mínima do dia de hoje, a moeda chegou a R$ 5,11.

No acumulado de 2026, a queda do dólar em comparação ao real já foi de quase 5%, considerando o fechamento da terça-feira, 24, de R$ 5,15.

Para efeito de comparação, o dólar começou 2025  acima de R$ 6 e encerrou o último pregão daquele ano cotado a R$ 5,489, com queda acumulada de 11,18% frente ao real, num movimento alinhado ao enfraquecimento global da moeda americana. Neste início de 2026, a tendência não apenas se manteve como se intensificou.

A continuidade da desvalorização reflete uma combinação de fatores externos e domésticos. No cenário internacional, pesa a revisão da confiança histórica dos investidores na moeda americana e nos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Por que o dólar cai?

A leitura de gestores e economistas é que o dólar atravessa um período de desgaste estrutural, pressionado por fatores internos e externos aos Estados Unidos.

Para Enrico Cozzolino, CEO da Zermatt Partners, a confiança quase automática na moeda americana começa a ser questionada. Ele avalia que a saída recente de capital estrangeiro dos EUA, somada às incertezas sobre a trajetória da inflação e da dívida pública, vem sustentando um movimento de desvalorização do dólar há algum tempo.

Na análise do estrategista, as políticas adotadas por Donald Trump também contribuíram para esse cenário. O aumento de tarifas comerciais no ano passado elevou a incerteza sobre os rumos da economia americana e levou investidores a rever posições. Mais recentemente, a decisão da Suprema Corte que derrubou medidas do republicano teria ampliado as dúvidas sobre a força institucional do país.

Felipe Sant’Anna, da Axia Investing, afirma que a sucessão de pacotes tarifários e os ruídos nas relações comerciais com parceiros históricos aumentaram a aversão ao risco, incentivando a migração para ativos como ouro e para outras moedas. Segundo ele, há hoje duas forças atuando na mesma direção: um dólar mais fraco globalmente e uma entrada relevante da moeda no Brasil, impulsionada pelo diferencial de juros.

Com a Selic em 15% ao ano, o Brasil se beneficia do carry trade, estratégia em que investidores captam recursos em países de juros baixos para aplicar onde as taxas são mais altas. Enquanto o Federal Reserve se aproxima do fim do ciclo de aperto monetário, o diferencial segue elevado.

Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, projeta que, mesmo com eventual queda da Selic ao longo do ano, o diferencial em relação aos EUA deve permanecer próximo de 10%. Para ela, o patamar ainda é suficientemente atrativo para sustentar o fluxo para o país. A economista também aponta que o dólar perdeu força globalmente por razões institucionais e geopolíticas.

Nesse contexto, pesa ainda a escalada de tensões no Oriente Médio. A Casa Branca tem intensificado a pressão sobre o Irã, com envio de navios e aviões de guerra à região e declarações mais duras, adicionando um novo componente de incerteza ao cenário internacional.

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