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Dólar fecha em R$ 5,16 e renova menor valor em quase dois anos

A divisa renovou os patamares mais baixos em quase dois anos e registrou a terceira sessão consecutiva de desvalorização frente ao real

Dólar cai pela 3ª sessão: a moeda americana fechou em queda de 0,14%, cotado a R$ 5,169 (Gary Cameron/Reuters)

Dólar cai pela 3ª sessão: a moeda americana fechou em queda de 0,14%, cotado a R$ 5,169 (Gary Cameron/Reuters)

Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 17h24.

O dólar à vista encerrou a sessão desta segunda-feira, 23, em queda de 0,14%, cotado a R$ 5,169. A moeda americana oscilou entre R$ 5,1398 — mínima intradiária e menor nível desde maio de 2024 — e R$ 5,1908.

Apesar de ter diminuído o ritmo de depreciação frente ao real na última hora do pregão, a divisa renovou os patamares mais baixos em quase dois anos e registrou a terceira sessão consecutiva de desvalorização.

Na sexta, 20, a moeda já havia recuado diante de ajustes de posições e da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, reduzindo incertezas sobre o uso desse instrumento como política econômica. Na semana passada, o dólar fechou a R$ 5,176, queda de 0,98% no dia e desvalorização acumulada de 1,02% na semana frente ao real, no menor nível em 21 meses.

Nesta segunda, o movimento foi novamente influenciado pelo cenário externo. Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, a decisão da Suprema Corte derrubando as tarifas recíprocas continua repercutindo nos mercados, apesar do presidente americano ter reagido e elevado a taxa para 15% a todos os países.

"Vimos que as tarifas impostas por Trump trouxeram um custo de vida maior para os americanos ao longo de 2025. A leitura agora é que a inflação deve ceder um pouco, com as tarifas menores até o final desses 150 dias e possivelmente menores ainda até depois desse prazo. Isso ajudaria o BC a cortar juros com mais intensidade do que se está projetando", afirmou.

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o enfraquecimento da moeda americana é mais amplo. "O dólar cai globalmente, e acredito que seja reflexo da política econômica de Trump, que faz com que a moeda norte-americana perca importância relativa enquanto reserva de valor, em favor do ouro".

Enquanto o dólar recuou nesta segunda, o contrato do ouro para abril fechou em alta de 2,85% na Comex, cotado a US$ 5.225,60 por onça-troy.

Alexandre Viotto, chefe de banking da EQI Investimentos, também destaca, contudo, o papel do fluxo doméstico e do desmonte de posições.

"O dólar hoje caindo um pouquinho em relação ao real, esse movimento veio desde cedo, a gente inclusive está com muito fluxo aqui hoje, muito importador fazendo os fechamentos desde cedo", disse.

Segundo Viotto, o câmbio também refletiu fatores geopolíticos, nesse caso, a tensão entre EUA e Irã. Na última sessão houve uma alta do dólar diante do receio de uma possível ação americana contra a segunda maior nação do Oriente Médio no fim de semana. Como o ataque não se concretizou, houve desmonte das posições defensivas.

"Vemos o real reagindo frente ao dólar muito por conta desse desmonte, ou dessa expectativa frustrada de ter havido um ataque no final de semana", afirma. Ele ressalta, porém, que o risco segue no radar e pode voltar a impactar os preços caso haja alguma escalada.

O que é o dólar à vista

O dólar à vista é o valor negociado no mercado de câmbio para liquidação imediata, geralmente em até dois dias úteis. Esse tipo de câmbio é bastante utilizado em operações de curto prazo feitas por empresas e instituições financeiras.

A cotação do dólar à vista reflete o valor real de mercado no momento da transação, oferecendo transparência para quem precisa fechar negócios com rapidez.

O que é o dólar futuro

O dólar futuro corresponde a contratos de compra e venda da moeda para liquidação em uma data futura. Essa modalidade é negociada na Bolsa de Valores e ajuda empresas e investidores a se protegerem da volatilidade cambial.

Sua cotação varia conforme as expectativas do mercado em relação à economia, podendo se distanciar bastante do dólar à vista em momentos de incerteza.

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