BlackRock ameniza risco fiscal e mantém otimismo com o mercado brasileiro

Maior gestora do mundo prevê corte de juros no início do próximo ano e espera por retomada significativa da propensão ao risco quando Selic cair abaixo de 10%
Axel Christensen: estrategista-chefe da BlackRock para a América Latina (Alejandro Cegarra/Bloomberg)
Axel Christensen: estrategista-chefe da BlackRock para a América Latina (Alejandro Cegarra/Bloomberg)
Guilherme Guilherme
Guilherme GuilhermePublicado em 30/11/2022 às 16:28.

Nada tem movimentado mais o mercado brasileiro nas últimas semanas do que os rumores envolvendo as negociações da PEC da Transição em Brasília ou os nomes que irão compor a equipe econômica do próximo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Embora as primeiras sinalizações não tenham agradado os investidores locais, preocupados com os riscos fiscais, elas não foram suficientes para assustar a maior gestora do mundo: a BlackRock.

Em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira, 30, para tratar de suas expectativas para os próximos anos, a gestora de US$ 8,5 trilhões sob gestão ponderou que os riscos fiscais não são um problema exclusivo do Brasil e que segue confiante com o cenário de investimento no país.

"O Brasil não está sozinho em termos de pressões fiscais. Temos visto isso em economias emergentes como o Chile e Colômbia, onde aumentaram muito as pressões por gastos sociais. Mas também em mercados desenvolvidos. Olha o que houve no Reino Unido neste ano", afirmou Axel Christensen, estrategista-chefe da BlackRock para a América Latina, ao ser questionado sobre os riscos atrelados à PEC.

Para o estrategista, investidores globais certamente estão de olho no curto prazo do Brasil e seus impactos fiscais e comparando com o que está acontecendo no mundo.

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Em relação aos outros países, como os da Europa e os Estados Unidos, a BlackRock está mais otimista com o Brasil. Um dos motivos apontados por Christensen é que o aperto monetário está melhor precificado no mercado local, além de verem o Banco Central brasileiro mais bem posicionado para começar a cortar juros.

Segundo a BlackRock, deve haver uma "retomada significativa da propensão ao risco" no Brasil quando a Selic cair para abaixo de 10%. "Não seria uma surpresa se o Brasil começar a cortar juros no início do ano que vem, o que seria muito antes de outros países, como os Estados Unidos."

A previsão da gestora é de que o Federal Reserve (Fed) terá mais dificuldade em controlar a inflação do que o esperado por investidores, mantendo a taxa de juros próxima de 5% até 2024. Os efeitos da alta de juros do Fed, inclusive, é um dos motivos de estarem "underweight" em ações dos Estados Unidos, onde a BlackRock acredita que o excesso de otimismo pode cobrar um preço caro.

Além da melhor posição do Brasil para começar a cortar juros, a BlackRock tem grande expectativa sobre o potencial de investimento do país atrelado ao mercado de carbono neutro.

"Olhando para o longo prazo, vemos o Brasil como uma fonte importante de oportunidades daqui para frente. Com a demanda para a transição para o carbono neutro, tenho que colocar o Brasil como um dos vencedores desse processo", afirmou Christensen.