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Barril de petróleo a US$ 100? Temor sobre choque de fornecimento já pressiona commodity

Última vez que o petróleo ultrapassou o valor simbólico foi em 2022

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 8 de abril de 2024 às 06h52.

Quando o petróleo subiu acima de US$ 90 por barril há poucos dias, tensões militares entre Israel e o Irã foram estavam no topo das preocupações mundiais. Agora, porém, os temores do ressurgimento de uma inflação causada por causa do choque de fornecimento já são uma realidade. As informações são da Bloomberg.

Uma medida recente do México para reduzir suas exportações de petróleo bruto está agravando o aperto global, levando refinarias dos EUA - o maior produtor de petróleo do mundo - a consumir mais barris domésticos. Outros pontos preocupantes são as sanções americanas contra cargas russas no mar e o suprimento venezuelano é o próximo alvo em potencial. Além disso, os ataques dos rebeldes Houthi a navios-tanque no Mar Vermelho atrasaram embarques de petróleo bruto. Apesar da turbulência, a OPEP e seus aliados estão mantendo seus cortes de produção.

Todos esses fatores, em conjunto, resultam numa potencial crise que ameaça empurrar o petróleo do tipo Brent, referência mundial, para US$ 100 pela primeira vez em quase dois anos.

Os embarques de petróleo do México, um dos principais fornecedores das Américas, caíram 35% no mês passado, atingindo seu nível mais baixo desde 2019, à medida que o presidente Andrés Manuel Lopez Obrador tenta cumprir as promessas de livrar o país das caras importações de combustível. As exportações do país do chamado petróleo cru  - o tipo pesado e denso que muitas refinarias são projetadas para processar - agora podem diminuir ainda mais, já que a estatal Pemex cancelou alguns contratos de fornecimento para refinarias estrangeiras.

Segundo a Bloomberg, México, EUA, Catar e Iraque reduziram seus fluxos combinados de petróleo em mais de 1 milhão de barris por dia em março. Bagdá se comprometeu a limitar a produção para compensar o não cumprimento de compromissos anteriores com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, conhecida como OPEP+.

Além desse aperto, os Emirados Árabes, da OPEP, reduziram as exportações de petróleo em 41% no mês passado - em comparação com a média de 2023, de acordo com dados da empresa de inteligência marítima Kpler. A empresa estatal de petróleo Abu Dhabi National Oil está desviando mais suprimentos desse petróleo bruto para sua própria refinaria. Essa queda também está contribuindo para o aumento dos preços regionais em meio à redução mais ampla da OPEP+.

Enquanto isso, os mercados de petróleo bruto na Europa foram pressionados pelos ataques Houthi no Mar Vermelho, que enviaram milhões de barris de petróleo bruto para um desvio ao redor da África, atrasando suprimentos por semanas. As interrupções em um importante oleoduto do Mar do Norte, os distúrbios na Líbia e um duto danificado no Sudão do Sul também contribuíram para a alta, enquanto as sanções dos EUA privaram a Rússia de navios-tanque que antes transportavam seu petróleo para compradores como a Índia.

O aperto no fornecimento pode se tornar ainda mais grave nas próximas semanas. O presidente Nicolas Maduro não vem dando sinais de que está cumprindo as promessas de realizar eleições livres, e o governo Biden pode reimpor as sanções neste mês.

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