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Alpargatas, dona da Havaianas, sobe 4% e mais do que recupera valor de mercado

Tanto a oscilação positiva quanto negativa coincidem com a repercussão do comercial da marca veiculado no final de semana

Alpargatas: companhia ganha R$ 455 milhões em valor de mercado (Leandro Fonseca/Exame)

Alpargatas: companhia ganha R$ 455 milhões em valor de mercado (Leandro Fonseca/Exame)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 23 de dezembro de 2025 às 18h37.

As ações da Alpargatas (ALPA4), dona da Havaianas, fechou a sessão desta terça-feira, 23, com alta de 4,02% cotada a R$ 11,90, se recuperando do tombo do dia anterior, quando caiu 2,4% e perdeu R$ 152 milhões em valor de mercado. Hoje, a companhia ganhou R$ 455 milhões.

Tanto a oscilação de alta quanto a queda coincidem com a repercussão do comercial da marca veiculado no último fim de semana, estrelado pela atriz Fernanda Torres. No vídeo, ela diz: “Não quero que você comece 2026 com o pé direito”, completando em seguida: “O que eu desejo é que você comece o ano com os dois pés”.

O conteúdo provocou críticas de grupos de direita, que interpretaram a mensagem como política. Nos Estados Unidos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro gravou um vídeo jogando um par de Havaianas fora, em protesto contra o suposto teor político do anúncio.

O período turbulento, no entanto, foi interpretado por analistas de varejo como um ruído pontual e não de quebra de fundamentos. Isso porque os investidores estão começando a ficar mais sensíveis ao risco eleitoral.

Apesar da queda, Mauricio Grandeza, consultor de varejo e presidente da Aprovare Brasil (Associação dos Profissionais do Varejo), diz que o movimento é meramente especulativo e de curto prazo. “Estamos na véspera do Ano Novo, daqui a uma semana isso já foi, serão águas passadas”, destaca.

Anos de volatilidade

A trajetória da companhia é marcada por um forte ciclo de volatilidade ao longo dos últimos seis anos, aponta a análise feita pelo Elos Ayta Consultoria.

Após uma expressiva valorização em 2019, quando o papel acumulou alta de 143,83%, impulsionando o preço para R$ 27,66, o movimento positivo perdeu força em 2020, com avanço mais moderado de 26,70% e cotação próxima de R$ 35,05.

Em 2021, o cenário começou a se inverter: mesmo com o preço ainda elevado, em R$ 31,10, o retorno anual já foi negativo em 11,27%, sinalizando o início de uma fase de ajuste mais profunda.

O ponto mais crítico ocorreu em 2022, quando a ação registrou queda de 59,08% no ano, levando o preço para R$ 12,72, movimento que se estendeu em 2023 e 2024, com novas desvalorizações anuais de 32,89% e 37,15%, respectivamente, e mínima próxima de R$ 5,37.

Em 2025, o gráfico indica uma reação relevante, com valorização de 113,18% no ano e recuperação do preço para R$ 11,44, desempenho que não era observado desde 2019 e que sinaliza uma inflexão importante no comportamento recente do papel, após quatro anos consecutivos de perdas expressivas.

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