Startup que digitaliza o campo doa R$ 1 mi para produtores na Amazônia

A agrotools anunciou a transferência de tecnologia para que pequenas empresas da região possam monitorar as suas matérias-primas

As empresas estão dispostas a dedicar um volume de capital considerável para alinhar suas atividades em busca de produtos e parceiros que as ajudem a evidenciar o comprometimento com práticas ESG. Por acreditar nisso, a Agrotools, startup de tecnologia agrícola, irá destinar mais de 1 milhão de reais em tecnologia para pequenos produtores da região Amazônica que desejam monitorar o histórico de suas matérias-primas.

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“Resolvemos contribuir tentando eliminar pontos cegos que criam enormes problemas na cadeia de suprimentos nacional e principalmente na Amazônia”, diz Sérgio Rocha, presidente da Agrotools. De acordo com o empreendedor, as práticas ambientalistas devem partir de uma ação coordenada entre os que produzem, os que compram e os que financiam. No entanto, para isso, é preciso tecnologia de ponta.

A Agrotools pretende democratizar o acesso a tecnologias avançadas de rastreabilidade da cadeia de valor. A doação de 1 milhão de reais consiste na transferência de conhecimento e usabilidade do principal software de monitoramento da companhia – conhecido como GeoID – para ruralistas, cooperativas, frigoríficos e outros pequenos produtores brasileiros que recebem produtos provenientes da região amazônica e desejam tomar melhores decisões baseadas em critérios sociais, ambientais e de governança.

“Para o pequeno empreendimento, ter a oportunidade de entender o histórico dos produtos que recebe permite não só o alinhamento com o desejo consciente do consumidor final, mas de se engajar numa cadeia limpa de fornecimento, diferenciando o seu negócio e, eventualmente, dando até mesmo acesso diferenciado ao crédito”, diz Rocha.

De maneira prática, a plataforma online da Agrotools conecta produtores a grandes centros empresariais no Brasil. Para isso, a tecnologia correlaciona o local das produções, trazendo avaliações de risco no território a partir dos procedimentos usados no plantio e histórico da região. O objetivo é entender se a matéria-prima foi cultivada em um local com protocolos socioambientais adequados, sem evidências de desmatamento, por exemplo.

A doação terá o apoio de parceiros estratégicos. Entre eles, a empresa de Venture Capital KPTL, a JBS, Agro SB, FS Bioenergia, Insper Agro Global e a Arcos Dorados, holding detentora do McDonald ‘s no Brasil. Para selecionar os produtores que irão receber a transferência, a Agrotools usou como base o Índice de Desenvolvimento Urbano (IDH) de cada região a fim de identificar locais onde possíveis “exclusões” de produtores de todo o ecossistema podem acontecer.

Os produtores enviam as informações geográficas do local que desejam monitorar, e a Agrotools devolve isso em forma de informação, captada por inteligência artificial. Para classificar uma região como positiva ou negativa, a plataforma leva em consideração protocolos de boas práticas de cultivo e pecuária para cada tipo de cultura. Esses protocolos, segundo a empresa, vêm de padrões estabelecidos pelo Banco Central e pela International Finance Corporation (IFC), por exemplo. Tudo isso acontece em questão de segundos e os dados são acessados pela internet ou pelo WhatsApp.

“Queremos inserir esses produtores na cadeia do agronegócio responsável, para que sejam vistos por grandes empresas como fornecedores confiáveis e que as auxiliam  a atingir metas da nova economia”, diz Rocha.

De acordo com Rocha, o projeto é uma sinalização ao mercado de que empresas de dados e tecnologia são capazes de reverter o cenário de desinformação sobre as cadeias produtivas que, de acordo com a empresa, atinge 10% dos produtores do país. “Consideramos que esse é o primeiro empurrão para resolvermos esse ponto-cego na Amazônia, e com isso, vamos incentivar que outras companhias se engajem na conscientização de pequenos produtores e na melhoria dos padrões do agronegócio nacional”, diz.

No histórico da Agrotools estão grandes companhias como McDonald ‘s Global, Walmart e Carrefour. Ao todo, são mais de 120 clientes e cerca de 200 milhões de hectares monitorados, sendo 10 milhões apenas nos limites da Amazônia, segundo a empresa.

 

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