Inteligência Artificial

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O paradoxo dos tokens: quanto menos custam, mais essenciais ficam

Queda de até 97% nos preços ampliou o uso dos modelos e reacendeu o debate sobre como precificar inteligência artificial

Tokens: internet é cobrada em cliques e sessões (Freepik)

Tokens: internet é cobrada em cliques e sessões (Freepik)

Publicado em 8 de julho de 2026 às 05h03.

Quanto mais barato fica o token, mais a inteligência artificial (IA) se infiltra no cotidiano — e mais caro, no total, sai para quem paga a conta. É o que mostra o relatório The State of the AI Economy 2026, publicado pela consultoria Exponential View, ao cruzar preços e volumes de consumo de tokens, a unidade que mede o processamento de texto pelos modelos de linguagem.

Os números globais de tokens processados ultrapassam 30 quadrilhões por mês, um crescimento de 14 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o levantamento.

Assim como a eletricidade passou a ser cobrada em quilowatt-hora e a internet em cliques e sessões, o token virou a métrica de cobrança da era da IA generativa — mas ainda não é, segundo o relatório, uma unidade de valor consolidada.

A comparação vem sendo feita pelos próprios líderes do setor. No evento de desenvolvedores I/O, em 2026, o presidente-executivo (CEO) do Google, Sundar Pichai, definiu os tokens como as unidades fundamentais de dados que os modelos processam. Já o CEO da Nvidia, Jensen Huang, resume a cadeia em uma imagem: quando a eletricidade entra, o token sai, e no meio está o hardware que viabiliza o processo.

Quanto mais barato, mais se gasta

O preço médio cobrado por milhão de tokens caiu de US$ 17 para US$ 2 em cerca de dois anos, segundo dados da Epoch AI citados no estudo — mesmo período em que a capacidade dos modelos, medida pelo Epoch Capabilities Index, subiu de 112 para 158 pontos.

A queda de preço não reduziu o gasto total. O relatório calcula uma elasticidade entre 1,2 e 1,8 nos principais provedores, ou seja, cada corte de 10% no preço gera entre 12% e 18% mais consumo de tokens. Três exemplos citados no estudo ilustram o efeito:

  • o Google saiu de cerca de 9,7 trilhões de tokens por mês, no início de 2024, para 3,2 quadrilhões por mês, segundo Pichai, no I/O de 2026;
  • a OpenAI afirma que o custo de operar um mesmo nível de IA cai cerca de dez vezes a cada 12 meses, o que amplia o uso, segundo o CEO Sam Altman;
  • o Doubao, chatbot da chinesa ByteDance, ultrapassou 50 trilhões de tokens consumidos por dia em 2025, segundo Tan Dai, executivo da Volcengine.

Nem todo token vale o mesmo

O relatório alerta que nem todo volume processado representa valor entregue ao usuário. Tokens de entrada e de "raciocínio" — consumidos internamente pelos modelos antes de responderem — são tratados como custo de produção, não como resultado útil. Só a fração de tokens de saída, ajustada pela capacidade do modelo que os gerou, se aproximaria de uma métrica real de inteligência entregue, segundo a metodologia da consultoria.

Entre janeiro de 2025 e abril de 2026, o volume total de tokens cresceu 39 vezes, enquanto os tokens de saída — a produção que de fato chega ao usuário — cresceram 30 vezes, segundo o levantamento.

Para os autores, o setor ainda tateia a resposta a uma pergunta que a eletricidade e a internet já haviam resolvido há décadas: qual é, afinal, a unidade que mede o valor que a inteligência artificial entrega.

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