Google: empresa anunciou que irá dobrar gastos com IA (user25996429/Freepik)
Redação Exame
Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 05h48.
O Google anunciou na quarta-feira, 4, que irá dobrar os gastos com inteligência artificial (IA). A Alphabet elevou a projeção de investimentos de capital para 2026 para um intervalo entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões, valor muito acima do consenso de mercado, que variava entre US$ 115 bilhões e US$ 119 bilhões, segundo dados da LSEG.
O anúncio aconteceu depois da divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, que superaram as expectativas de Wall Street em receita e lucro. Com o mercado fechado, as ações da Alphabet passaram a subir 1,81% no after market, após queda de quase 2% no pregão regular, em um dia negativo também para o Nasdaq, que recuou 1,51%.
No último trimestre de 2025, a Alphabet registrou lucro por ação de US$ 2,82, acima da estimativa de US$ 2,63. A receita total somou US$ 113,83 bilhões, superando a projeção de US$ 111,43 bilhões.
Na comparação anual, a empresa reportou crescimento de quase 18% na receita e avanço de cerca de 30% no lucro líquido, que atingiu US$ 34,46 bilhões. O desempenho reforçou a geração de caixa que sustenta o aumento dos investimentos em IA.
A publicidade continuou sendo a principal fonte de receita da companhia, com US$ 82,28 bilhões no trimestre, alta de 13,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Dentro desse segmento, os anúncios no YouTube alcançaram US$ 11,38 bilhões, crescimento de quase 9%. O resultado, porém, ficou abaixo da expectativa dos analistas, que projetavam US$ 11,84 bilhões. Executivos afirmaram não ver sinais de canibalização da busca por chatbots concorrentes, mesmo com a expansão de recursos de IA nos resultados.
O Google Cloud apresentou desempenho acima do esperado, com receita de US$ 17,66 bilhões, frente à estimativa de US$ 16,18 bilhões. A divisão cresceu 47% na comparação anual e concentra a maior parte dos produtos e serviços de inteligência artificial da Alphabet.
Segundo a empresa, a demanda por infraestrutura para treinar e operar modelos de IA impulsionou contratos de grande porte. O backlog de acordos em nuvem chegou a US$ 240 bilhões no fim de dezembro, alta de 55% em relação a setembro.
Os custos de aquisição de tráfego somaram US$ 16,59 bilhões no trimestre, acima do consenso de US$ 16,20 bilhões, ponto acompanhado de perto por investidores.
Já a divisão “Outras Apostas”, que inclui negócios como a empresa de ciências da vida Verily e a unidade de carros autônomos Waymo, registrou receita de US$ 370 milhões, queda de 7,5% na comparação anual. O prejuízo da divisão atingiu US$ 3,61 bilhões, alta superior a 200%.
A Waymo respondeu por US$ 2,1 bilhões em despesas com remuneração de funcionários no trimestre, após uma rodada de financiamento que avaliou a empresa em US$ 16 bilhões.
Apesar dos resultados sólidos, o foco dos investidores se voltou para a projeção de investimentos. A Alphabet informou que o aumento expressivo do capex será direcionado principalmente a data centers, chips próprios e ao avanço de seus modelos de IA.
O lançamento do “Gemini 3”, em novembro, foi bem recebido pelo mercado e marcou um avanço na disputa por liderança em inteligência artificial. O aplicativo assistente “Gemini” superou 650 milhões de usuários mensais no mesmo mês, enquanto o recurso “AI Overviews”, integrado à busca do Google, passou a alcançar mais de 2 bilhões de usuários por mês.
O aumento dos gastos ocorre em um momento de maior cautela dos investidores com o retorno sobre investimentos em IA. Ainda assim, a Alphabet sustenta que a expansão é necessária para atender a uma demanda que, segundo a companhia, segue acima da capacidade atual de oferta computacional.