Inteligência Artificial

A 'profecia' do MIT de 60 anos atrás que mostra por que pessoas se apegam emocionalmete à IA

Experimento dos anos 1960 já indicava vínculo emocional com máquinas, hoje comum com chatbots

Joseph Weizenbaum (John Martyn/ullstein bild via Getty Images)

Joseph Weizenbaum (John Martyn/ullstein bild via Getty Images)

Publicado em 17 de março de 2026 às 15h46.

Última atualização em 17 de março de 2026 às 15h50.

Muito antes de ChatGPT virar rotina no trabalho e nas conversas do dia a dia, um experimento no MIT (Massachusetts Institute of Technology) já mostrava que a história com a inteligência artificial ia além da tecnologia.

Lá nos anos 1960, um programa simples conseguiu despertar algo inesperado até então, a conexão emocional entre humanos e máquinas.

Foi nesse cenário que o cientista e professor da universidade Joseph Weizenbaum criou o "Eliza", um software que rodava em um IBM 7094, um computador gigante e caríssimo para a época. Mesmo com limitações técnicas, o sistema impressionava pela forma como “conversava”.

O truque era simples, mas eficaz. O programa identificava palavras-chave e reformulava frases, criando respostas que pareciam naturais, mesmo sem entender absolutamente nada do que estava sendo dito.

Massachusetts Institute of Technology (MIT)

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O nascimento de ELIZA e sua simulação de terapeuta

Joseph publicou o código de ELIZA em 1966, no jornal Communications of the ACM. Na versão mais testada, o programa atuava como uma terapeuta rogeriana, transformando declarações em perguntas para incentivar o usuário a elaborar. Exemplos reais de interações registradas incluem:

Paciente digita: Meu namorado me fez vir aqui.
ELIZA responde: Seu namorado te fez vir aqui.

Paciente digita: Ele diz que estou deprimida a maior parte do tempo.
ELIZA responde: Lamento que você esteja deprimida.

Essa mecânica simples gerava ilusão de escuta ativa, conforme documentado por Weizenbaum.

Entender essa relação é essencial para acompanhar os próximos passos da inteligência artificial, saiba como nesta aula.

Usuários criam laços reais com a máquina

Testes no MIT mostraram usuários tratando ELIZA como confidente. O caso mais citado envolveu a secretária de Weizenbaum, que pediu privacidade para "conversar" sozinha com o programa, como relatado pelo criador em seu livro de 1976.

Pesquisadores da época, impressionados, previram aplicações terapêuticas reais, inclusive em hospitais, segundo relatos contemporâneos.

Weizenbaum registrou surpresa com essas reações. Ele escreveu: "Sem dúvida há técnicas para facilitar a projeção do terapeuta na vida do paciente. Mas que fosse possível a um psiquiatra defender que esse componente crucial do processo terapêutico pudesse ser substituído, isso eu não tinha imaginado."

Em "Computer Power and Human Reason", Weizenbaum argumentou que certas formas de pensamento devem permanecer exclusivas dos humanos, mesmo com avanços tecnológicos. Ele enfatizou limites éticos na substituição de interações humanas por automação.

De ELIZA aos chatbots corporativos de hoje

A previsão se concretizou no século 21. Plataformas como Woebot e Replika oferecem suporte emocional via IA, com milhões de usuários globais.

No ambiente corporativo, ferramentas como Microsoft Copilot e apps de bem-estar em RH integram chatbots para coaching e redução de estresse, conforme relatórios da Gartner (2025) sobre IA em saúde mental no trabalho.

O padrão de atribuir empatia a máquinas persiste, impulsionando adoção em empresas.

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