Kioxia: empresa fabrica chips de memória flash NAND (LightRocket/Getty Images)
Colaboradora
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 08h15.
Apesar de ser considerado uma grande potência tecnológica, o Japão tem tido pouco destaque no setor de inteligência artificial. Mas isso pode mudar com a Kioxia, cujas ações valorizaram cerca de 800% no último ano e 50% só nos primeiros 20 dias de 2026.
Há décadas, a Kioxia produz chips de memória flash NAND, usados para armazenar dados sem consumo de energia e historicamente direcionados ao mercado de eletrônicos de consumo, como smartphones.
Até 2024, os chips eram tratados como commodities, fáceis de substituir entre os fornecedores, o que mantinha os preços sob pressão. Somente naquele ano, os valores caíram cerca de 50% e atingiram mínimas históricas, apesar da escassez de chips avançados para IA no setor.
Esse cenário começou a mudar com a expansão dos data centers. A demanda de grandes capacidades de armazenamento para treinar e operar os modelos de IA em larga escala deslocou a base de clientes da Kioxia para projetos de infraestrutura, menos sensíveis a preço e com margens mais altas.
O movimento ocorre em paralelo a anos de investimentos limitados e baixa oferta de memória NAND, fatores que expandiram o poder de precificação dos fabricantes.
Sendo assim, a recente alta das ações pode ser interpretada como parte de uma tendência mais longa. Entretanto, os papéis da Kioxia são negociados a cerca de 12 vezes o lucro projetado, um múltiplo inferior ao observado em empresas globais de infraestrutura de IA, como a Nvidia.
A diferença de avaliação reflete os riscos do negócio, uma vez que a Kioxia se beneficia de forma indireta do avanço da IA, por meio do aumento da demanda por armazenamento nos data centers. Esse efeito pode diminuir a medida que a oferta de memória suba e os investimentos nos data centers diminuam, cenário em que preços e margens tendem a cair, mesmo com o desenvolvimento do setor.
Por enquanto, a Kioxia se destaca porque há poucas alternativas no mercado japonês. À medida que os investimentos em infraestrutura de IA avancem além da fase inicial, a tendência é que investidores passem a buscar empresas posicionadas em gargalos estruturais da produção de chips, onde a concorrência é menor e os retornos mais previsíveis.
Esse grupo inclui, por exemplo, fornecedores de equipamentos avançados para a fabricação de chips, como a holandesa ASML, além de empresas fabricantes de componentes de precisão, embalagens e produtos químicos especializados, segmentos essenciais para a indústria e mais difíceis de substituir.