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Data center do Google em imagem de arquivo: expansão do setor enfrenta limites locais nos Estados Unidos (Google/Reprodução)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 5 de novembro de 2026 às 11h15.
As eleições americanas de 3 de novembro ampliaram a resistência à construção de data centers. Ohio aprovou restrições em ao menos 14 localidades, enquanto a governadora eleita do Texas promete manter uma pausa nas novas aprovações. A disputa envolve energia, água e participação das comunidades. A Agência Internacional de Energia projeta que o consumo global de eletricidade dessas instalações chegará a 950 TWh em 2030.
Eleitores americanos aprovaram nesta terça-feira, 3, restrições a data centers, as instalações que abrigam servidores e sustentam serviços digitais e sistemas de inteligência artificial. Ohio concentrou ao menos 14 aprovações de proibições ou outras limitações, segundo levantamento da publicação especializada Data Center Dynamics.
O efeito sobre os negócios vai além das fronteiras municipais. Segundo o Wall Street Journal, dirigentes da OpenAI discutiram se o resultado exigiria rever expectativas para sua capacidade de data centers em 2027. A informação foi atribuída pelo jornal a uma pessoa familiarizada com a conversa.
Em Sunbury, Ohio, 78,64% dos votos foram favoráveis a uma mudança na legislação municipal que proíbe a construção de instalações com demanda elétrica agregada mensal ou carga de pico superior a 25 megawatts. Foram 2.809 votos a favor e 763 contra. A apuração estava completa, mas os resultados ainda dependiam de certificação, segundo a Ballotpedia.
Em Grove City, também em Ohio, os eleitores determinaram que grandes empreendimentos sujeitos aos critérios da proposta passem por votação popular. No Maine, diferentes municípios aprovaram moratórias temporárias. Em Alhambra, na Califórnia, passou uma proibição municipal de data centers, conforme a Data Center Dynamics.
Uma consulta popular, uma pausa no licenciamento e uma proibição de construção produzem efeitos distintos. Para investidores, o próximo passo é entender quais projetos estão enquadrados em cada regra e o que muda nos prazos de aprovação.
No Texas, a democrata Gina Hinojosa venceu a disputa pelo governo após defender a suspensão de novas aprovações até que o Legislativo estabeleça proteções para a população.
O estado já tinha um congelamento de licenças ambientais e conexões à rede elétrica, determinado pelo governador Greg Abbott durante uma auditoria. A proposta de Hinojosa poderá prolongar essa situação. Sua agenda inclui proteção dos recursos hídricos, maior transparência e medidas para impedir que a expansão dos centros de processamento aumente os custos de eletricidade dos moradores, segundo o Texas Tribune.
A promessa eleitoral ainda precisa se converter em medidas concretas. Para empresas com investimentos planejados, essa transição adiciona incerteza sobre prazos e condições de aprovação.
A Agência Internacional de Energia estima que o consumo mundial de eletricidade dos data centers aumentará de 485 terawatts-hora em 2025 para 950 TWh em 2030, aproximadamente 3% da demanda global.
O impacto na conta de luz depende de como cada rede distribui os custos da expansão.A agência ressalta que o impacto nas tarifas depende das condições de cada rede e das políticas adotadas. Novos consumidores podem melhorar o aproveitamento da infraestrutura existente, mas também exigir investimentos elevados em geração e transmissão. A distribuição desses custos é uma escolha regulatória, conforme o relatório da AIE.
A disputa americana dá visibilidade a um problema que acompanha a expansão dos data centers no Brasil: o ritmo dos novos empreendimentos precisa caber na infraestrutura elétrica. Licenças, conexão à rede e divisão de custos entram na conta antes que os servidores sejam ligados.
Não existe uma proibição nacional nas medidas descritas. As decisões são locais e vão de consultas populares a pausas e restrições de construção.
A cidade aprovou uma proibição para instalações com demanda elétrica agregada mensal ou carga de pico superior a 25 megawatts. A medida recebeu 78,64% dos votos, mas o resultado ainda depende de certificação.
Uma moratória suspende novas aprovações por um período. Uma proibição impede os empreendimentos enquadrados na regra, conforme o alcance da legislação local.
Gina Hinojosa defendeu manter a suspensão de novas aprovações até que o Legislativo estabeleça proteções para a população. O estado já tinha um congelamento durante uma auditoria.
Não. Segundo a AIE, o efeito depende da oferta disponível, dos investimentos necessários e de como os custos são distribuídos.
Elas podem alterar o cronograma e as condições de aprovação da infraestrutura necessária à expansão. O impacto total das decisões eleitorais ainda não está quantificado.