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Dona do Claude negocia comprar startup israelense por US$ 6 bilhões

Aquisição da Decart seria a maior da história da Anthropic até agora, segundo informações da Bloomberg

Dario Amodei: CEO da Anthropic (Kimberly White/Getty Images)

Dario Amodei: CEO da Anthropic (Kimberly White/Getty Images)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 13 de agosto de 2026 às 09h11.

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A Anthropic negocia a compra da Decart, startup israelense de inteligência artificial (IA), por cerca de US$ 6 bilhões, segundo a Bloomberg. O negócio ainda não foi fechado e as conversas podem não avançar.

Se concretizada, seria a maior aquisição já feita pela Anthropic, dona do Claude, às vésperas de uma oferta pública inicial (IPO) muito aguardada pelo mercado. A empresa raramente faz aquisições de grande porte.

Por que a Anthropic quer a Decart?

O software da Decart reduz o custo de treinar modelos de IA ao fazer os chips trabalharem de forma mais eficiente — tecnologia que poderia ajudar a infraestrutura já existente da Anthropic a absorver mais demanda, segundo uma pessoa a par do assunto.

A empresa vem gastando pesado em capacidade computacional para desenvolver novos produtos e atender clientes. Se o negócio se concretizar, a equipe da Decart se juntará à área de inferência e desempenho da Anthropic, segundo a Bloomberg.

Inferência é a execução de um modelo de IA já treinado para responder a perguntas, e representa fatia crescente da conta de computação do setor.

Na semana passada, a Anthropic já havia informado que estava contratando engenheiros com experiência em hardware e software para trabalhar em chips personalizados e tornar o Claude mais rápido e barato de operar.

Uma valorização vertiginosa

A cifra reflete uma reavaliação rápida da startup. A Decart valia US$ 3,1 bilhões em agosto de 2025 e passou para cerca de US$ 4 bilhões em maio deste ano, após rodada de US$ 300 milhões liderada pela Radical Ventures, com participação da Nvidia, Atreides Management, Valor Equity Partners e Adobe Ventures. Investidores anteriores como Sequoia Capital, Benchmark e Zeev Ventures também participaram.

Um acordo a US$ 6 bilhões representaria um prêmio de cerca de 50% sobre essa marca mais recente — salto rápido para uma empresa com dois anos de existência. A Decart já havia sido avaliada em US$ 500 milhões e depois em US$ 3,1 bilhões em rodadas anteriores.

Fundada em 2023 por Dean Leitersdorf, que atua como presidente-executivo, o irmão dele, Orian Leitersdorf, e Moshe Shalev, diretor de produto — os três veteranos da Unidade 8200, a elite de inteligência de sinais e ciber do Exército israelense —, a empresa emprega cerca de 100 pessoas.

Uma disputa que já envolveu outros nomes

A Nvidia chegou a manter conversas avançadas para comprar a Decart antes de ofertas maiores aparecerem, segundo o site israelense Calcalist. Amazon, Nebius e SpaceX também foram citadas como potenciais compradoras.

Elon Musk negou publicamente, dias atrás, que a SpaceX estivesse em negociação para comprar a startup — depois que fontes ligadas às tratativas da Decart haviam afirmado ao Calcalist que a empresa de Musk era uma das interessadas.

O momento da jogada

A Anthropic captou US$ 65 bilhões em rodada de investimento cerca de três meses atrás, alcançando avaliação de US$ 965 bilhões. A empresa protocolou pedido confidencial de abertura de capital junto à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, em inglês) no início de junho.

Seria a quinta aquisição da Anthropic neste ano, depois de pelo menos quatro negócios menores — incluindo a compra da Stainless, em maio, e da Vercept, em fevereiro —, mas de longe a maior. A proximidade com a data do IPO dificilmente é coincidência.

Em um mercado que passou a recompensar empresas mais enxutas, e com a concorrência de modelos chineses mais baratos pressionando margens, uma das maiores defensoras da escala no setor aparentemente está disposta a pagar uma cifra recorde para operar de forma mais leve e barata.

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