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Moshe Shalev e Dean Leitersdorf, cofundadores da Decart: startup pode ser comprada pela Anthropic (Decart/Divulgação)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 09h18.
A Anthropic, dona do Claude, deve realizar, em breve, a maior aquisição desde a sua fundação, segundo a Bloomberg. O alvo é a Decart, startup israelense de dois anos avaliada em cerca de US$ 6 bilhões nas negociações em curso.
A empresa não constrói um chatbot concorrente do próprio Claude ou do ChatGPT, mas desenvolve infraestrutura e software de otimização que ajudam desenvolvedores de inteligência artificial (IA) a extrair mais desempenho de uma variedade de chips.
Em outras palavras: em vez de competir pela IA mais inteligente, a Decart compete pelo problema que atinge todo o setor — como conseguir mais resultado do mesmo hardware, cada vez mais caro.
O produto central da Decart é o que a empresa chama de "modelos de mundo" — sistemas que tentam simular a realidade física, prevendo como ambientes, objetos e cenas se comportariam sob diferentes condições.
Dois produtos ilustram a aplicação prática dessa tecnologia. O Lucy edita vídeo ao vivo em tempo real. Já o Oasis gera ambientes simulados usados para treinar sistemas de robótica e de direção autônoma — um jeito de ensinar uma máquina a "praticar" em um mundo virtual antes de agir no mundo real.
A tese por trás desses produtos conecta-se a dois problemas que dominam a indústria de IA hoje. Um deles é o custo de treinar modelos cada vez maiores, e o custo de rodá-los depois de prontos — a chamada inferência, que consome fatia crescente do orçamento de qualquer empresa do setor.
A Decart foi fundada em 2023 pelos irmãos Dean e Orian Leitersdorf e por Moshe Shalev.
Dean atua como presidente-executivo, e Shalev, como diretor de produto. Os três se conheceram na Unidade 8200, a divisão de inteligência de sinais e operações cibernéticas do Exército de Israel, equivalente à Agência de Segurança Nacional (NSA) americana.
A empresa emprega cerca de 100 pessoas e já levantou aproximadamente US$ 450 milhões desde a fundação. A rodada mais recente, de US$ 300 milhões em maio, foi liderada pela Radical Ventures e trouxe a Nvidia como nova investidora, ao lado de Atreides Management, Valor Equity Partners e Adobe Ventures. Sequoia Capital, Benchmark e Zeev Ventures, investidoras desde rodadas anteriores, também participaram.
A valorização da empresa saltou rapidamente: US$ 500 milhões, depois US$ 3,1 bilhões em agosto de 2025, e cerca de US$ 4 bilhões na rodada mais recente — uma das escaladas mais rápidas já vistas no setor de tecnologia israelense.
Antes de conversar com a Anthropic, a Decart já havia atraído interesse de peso. A Nvidia chegou a negociar de forma avançada a compra da startup, antes de ofertas maiores surgirem.
Amazon, Nebius e a SpaceX, de Elon Musk, também foram citadas como potenciais compradoras — Musk negou publicamente o interesse dias atrás.
A disputa reflete uma mudança de prioridade no setor — e pode significar que a corrida por IA deixou de ser só sobre construir o modelo mais poderoso e passou a incluir, cada vez mais, o custo e a eficiência de rodar esses modelos em escala.