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Claude: empresa deve abrir capital em outubro (Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 09h10.
Última atualização em 13 de agosto de 2026 às 09h13.
Investidores da Anthropic esperam que a empresa tenha uma avaliação de pelo menos US$ 2 trilhões em sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) prevista para outubro — patamar que tornaria a estreia da dona do Claude na bolsa a maior da história do mercado de ações.
Segundo o Financial Times, seis investidores da companhia disseram ao jornal britânico que o crescimento acelerado da receita poderia sustentar uma avaliação mais do que o dobro do nível mais recente. A Anthropic havia chegado a US$ 965 bilhões em maio, após nova rodada de investimento.
As projeções partem dos investidores, não da própria Anthropic. Segundo o FT, executivos seniores da empresa ainda não estabeleceram uma meta de avaliação para o IPO, nem em conversas internas — os investidores construíram os próprios modelos financeiros a partir do crescimento recente da companhia.
Os investidores esperam que a receita anualizada da Anthropic chegue entre US$ 100 bilhões e US$ 120 bilhões até o fim de 2026 — mais de dez vezes o patamar do início do ano. Em maio, a empresa já havia informado que a receita anualizada havia ultrapassado US$ 47 bilhões.
"Se a Anthropic está crescendo 800% ao ano, você pensaria que, no piso extremamente conservador, ela negociaria a 30 vezes a receita", disse um investidor ao FT. Esse cálculo levaria a companhia a US$ 3 trilhões.
A Anthropic não tem uma rival americana diretamente comparável na bolsa. Por isso, investidores olham para empresas beneficiadas pelo gasto em inteligência artificial (IA), como Palantir e a provedora de nuvem Nebius, que negociaram a cerca de 55 vezes a receita neste ano.
Fundos de capital de risco, fundos soberanos e investidores institucionais aportaram cerca de US$ 100 bilhões na Anthropic ao longo de 2026, segundo o FT.
A Anthropic segue enfrentando concorrência chinesa, pressão regulatória e uma disputa não resolvida com o governo de Donald Trump.
Restrições americanas à exportação chegaram a forçar a empresa a retirar temporariamente do mercado os modelos Fable 5 e Mythos 5, em junho — episódio que abalou parte dos clientes e ajudou a desacelerar temporariamente o crescimento da companhia.
Dona do Claude negocia comprar startup israelense por US$ 6 bilhõesOutro risco apontado é o preço: o modelo principal da Anthropic custa mais de duas vezes e meia o equivalente ao da OpenAI, num momento em que empresas tentam conter gastos com IA e os modelos chineses, mais baratos, seguem melhorando.
A OpenAI protocolou o próprio pedido confidencial de registro uma semana depois da Anthropic, e chegou a cogitar estreia ainda neste outono, com avaliação acima de US$ 1 trilhão.
Mais recentemente, porém, a equipe de Sam Altman tem se inclinado a adiar a listagem para 2027, em vez de aceitar qualquer valor abaixo da marca de US$ 1 trilhão — decisão ligada, em parte, a um empréstimo-ponte que o SoftBank precisa quitar. Na semana passada, a OpenAI recomprou US$ 7 bilhões em ações de funcionários, à medida que intensifica os preparativos para a própria abertura de capital.
Atrás das duas, a fila de empresas de tecnologia se acumula. A Databricks, avaliada por último em cerca de US$ 134 bilhões, está pronta para abrir capital há anos, mas segue adiando — o presidente-executivo da empresa chamou 2026 de "um ano terrível para abrir capital".