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IA para golfinhos: pesquisadores trabalham para associar padrões com sons sintéticos criados para se referir a objetos que golfinhos gostam (Stuart Westmorland/Getty Images)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 15 de abril de 2025 às 07h05.
Última atualização em 15 de abril de 2025 às 11h42.
Uma nova inteligência artificial (IA) criada pelo Google quer ajudar a "traduzir" o idioma dos golfinhos. Chamada de DolphinGemma, o modelo de linguagem visa entender a estrutura das vocalizações desses mamíferos marinhos, identificando padrões e sequências nos sons emitidos pelos golfinhos, e, a longo prazo, criar um vocabulário compartilhado entre humanos e golfinhos.
Esses sons são processados por uma arquitetura de modelo projetada para lidar com sequências complexas, permitindo que o sistema identifique padrões, estruturas e até mesmo preveja os próximos sons na sequência, assim como os modelos de linguagem humana preveem a próxima palavra ou token.
Com cerca de 400 milhões de parâmetros, o modelo foi projetado para ser executado diretamente nos smartphones Pixel usados pelos pesquisadores em campo.
A implementação do DolphinGemma já começou nesta temporada de pesquisa e permite identificar padrões recorrentes de sons, agrupamentos e sequências confiáveis, facilitando a descoberta de estruturas ocultas na comunicação dos golfinhos. Com isso, a carga de trabalho humana necessária para analisar essas informações complexas é significativamente reduzida, segundo o Google.
Além disso, os pesquisadores estão trabalhando para associar esses padrões com sons sintéticos criados para se referir a objetos que os golfinhos gostam, como algas e fitoplâncton. A ideia é estabelecer um vocabulário compartilhado com os golfinhos, permitindo uma comunicação mais interativa.
A inteligência artificial DolphinGemma, desenvolvida pelo Google em parceria com a Georgia Tech e o Wild Dolphin Project (WDP), utiliza tecnologias de ponta para analisar e interagir com a complexa comunicação dos golfinhos.
O DolphinGemma foi treinado utilizando uma base de dados extensiva, composta por décadas de gravações de áudio e vídeo feitas pelo WDP nas Bahamas.
Essas gravações documentam as vocalizações, interações, comportamentos e até as identidades individuais dos golfinhos-pintados-do-Atlântico. A partir dessa rica fonte de dados, a IA aprende a identificar os padrões presentes nas vocalizações dos golfinhos e pode prever sequências sonoras, de forma similar aos modelos de linguagem que antecipam palavras ou tokens na comunicação humana.
A base do funcionamento do DolphinGemma é a tecnologia SoundStream, que é responsável por transformar as vocalizações dos golfinhos em representações digitais chamadas tokens. Esses tokens são então analisados pela IA, que identifica os padrões e a estrutura desses sons. O modelo conta com cerca de 400 milhões de parâmetros, o que o torna altamente eficiente para processar a complexidade das vocalizações dos golfinhos, permitindo uma análise mais precisa e previsível.
Uma das inovações do DolphinGemma é a capacidade de rodar em smartphones Google Pixel, o que facilita a implementação e o uso da IA diretamente no campo. Isso permite que os pesquisadores, durante as expedições no ambiente marinho, possam realizar a coleta e a análise dos sons dos golfinhos em tempo real, sem a necessidade de equipamentos especializados e volumosos. Essa abordagem simplifica a operação e torna a tecnologia mais acessível e prática para pesquisas em áreas remotas.
Além de decifrar os sons naturais dos golfinhos, o DolphinGemma está integrado ao sistema subaquático CHAT (Cetacean Hearing Augmentation Telemetry).
O CHAT foi projetado para associar sons sintéticos a objetos específicos que os golfinhos gostam, como ervas marinhas ou outros itens encontrados no oceano. Com o tempo, espera-se que os golfinhos aprendam a imitar esses sons para solicitar os objetos desejados, criando assim uma forma básica de comunicação entre humanos e golfinhos.
A interação bidirecional entre golfinhos e pesquisadores é um dos aspectos mais promissores do projeto. Através da imitação de sons, os golfinhos podem "pedir" objetos específicos ou reagir a comandos simples.
O DolphinGemma não só facilita a análise e compreensão dos sons naturais dos golfinhos, mas também pode ser um passo crucial para a criação de uma forma de comunicação entre seres humanos e esses mamíferos marinhos. Com a implementação do sistema CHAT e o aprimoramento contínuo da IA, a expectativa é que os golfinhos mais curiosos se envolvam ainda mais com o sistema, melhorando a comunicação bidirecional e possibilitando interações mais fluidas e naturais.
Em 2025, o Google planeja disponibilizar o DolphinGemma como um modelo aberto, permitindo que pesquisadores de todo o mundo apliquem a tecnologia em outras espécies de cetáceos e continuar a explorar o potencial dessa inovação na comunicação com mamíferos marinhos.