Patrocinado por:
CEO da Nvidia diz que sua equipe substituiu a programação de códigos por agentes de IA autônomos — entenda o motivo (Reuters/Brittany Hosea-Small)
Jornalista
Publicado em 10 de julho de 2026 às 15h33.
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou que os engenheiros de software da empresa preferem desenvolver agentes de inteligência artificial a escrever código tradicional em linguagens como Python. Segundo ele, cada um de seus engenheiros de software prefere construir agentes a escrever código em Python — declaração dada em entrevista divulgada pela própria Nvidia e repercutida pelo Business Insider nesta semana.
Huang afirmou que, por causa da IA, os engenheiros da Nvidia estão dedicando menos tempo à codificação manual, que ele compara a uma atividade repetitiva. Em vez disso, a equipe passou a se concentrar na construção de agentes, na criação de benchmarks e no desenvolvimento de mecanismos de segurança, os chamados guardrails — sistemas que limitam e monitoram o comportamento de uma IA para evitar erros ou ações indevidas.
Um agente de IA é um sistema capaz de dividir uma tarefa complexa em etapas menores e executá-las de forma autônoma até atingir um objetivo. Para Huang, migrar da escrita de código para o design desses agentes exige um tipo diferente de raciocínio.
Segundo o executivo, o trabalho mundano é transferido para o agente, enquanto o profissional passa a exigir mais imaginação, criatividade e domínio técnico. Na prática, isso significa que o engenheiro deixa de escrever cada linha de comando e passa a supervisionar, testar e ajustar sistemas que executam tarefas por conta própria.
A visão de Huang não é isolada. Executivos como Satya Nadella, da Microsoft, e Matt Garman, da AWS, também têm defendido a chamada computação agêntica como o próximo estágio do desenvolvimento de software. Já o CEO da Anthropic, Dario Amodei, avalia que a programação convencional é uma habilidade em contração, sendo cada vez mais assumida por modelos de IA antes de afetar a engenharia de software como um todo.
Apesar do tom otimista, Huang rebateu preocupações crescentes sobre uma possível redução de vagas no setor de tecnologia por conta da IA generativa, defendendo que a tecnologia cria funções novas em vez de eliminar postos de trabalho.
Na prática, o relato de Huang aponta para uma tendência que já vem sendo discutida por especialistas: a programação deixa de ser o centro do trabalho técnico e passa a ser apenas uma etapa dentro de um processo maior, que inclui planejamento, validação e supervisão de sistemas autônomos.
Para profissionais de tecnologia, isso reforça a importância de desenvolver competências como pensamento crítico, desenho de arquiteturas e capacidade de avaliar riscos — habilidades que vão além do domínio de uma linguagem de programação específica.