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Anthropic acusa Alibaba de usar contas falsas para extrair dados da Claude AI

Segundo a empresa, a operação envolveu milhões de interações com a Claude AI e representa o maior caso de extração indevida de capacidades já identificado pela empresa

Anthropic acusa Alibaba de usar contas falsas para extrair dados da Claude AI (Getty Images)

Anthropic acusa Alibaba de usar contas falsas para extrair dados da Claude AI (Getty Images)

Publicado em 30 de junho de 2026 às 16h54.

Última atualização em 1 de julho de 2026 às 10h32.

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A disputa entre empresas de inteligência artificial ganhou um novo capítulo após a Anthropic acusar a Alibaba de realizar uma operação fraudulenta para copiar capacidades do modelo Claude.Segundo a empresa norte-americana, operadores ligados ao laboratório Qwen, da gigante chinesa, teriam criado aproximadamente 25 mil contas falsas para interagir milhões de vezes com o sistema e utilizar essas respostas no treinamento de outros modelos. 

A acusação, encaminhada em carta a senadores dos Estados Unidos, representa a denúncia mais grave de apropriação indevida de tecnologia já registrada pela Anthropic desde sua fundação, em 2021. A Alibaba ainda não apresentou uma resposta pública às acusações.

O que a Anthropic alega

De acordo com a Anthropic, a ação ocorreu entre abril e junho de 2026 e gerou cerca de 28,8 milhões de interações com a Claude — uma escala que, segundo a empresa, só foi possível por meio de automação sofisticada e coordenação deliberada entre as contas envolvidas. 

O objetivo declarado seria extrair capacidades avançadas do modelo, como programação, raciocínio complexo e execução de tarefas de longo prazo: justamente os diferenciais que a Anthropic vem desenvolvendo em suas versões mais recentes e que representam o núcleo de seu valor comercial.

A empresa afirma ainda ter identificado padrões de comportamento nas contas que indicam operação orquestrada, e não uso orgânico — incluindo sequências de consultas altamente técnicas e sistemáticas que não corresponderiam ao perfil de usuários comuns. A carta aos senadores sugere que a Anthropic busca não apenas uma resposta da Alibaba, mas também pressionar por regulamentação federal que coíba esse tipo de prática.

O que é a destilação de modelos

A técnica conhecida como destilação consiste em utilizar as respostas de um modelo mais avançado para treinar outro menor ou mais simples, transferindo conhecimento de forma indireta. Esse processo é comum e legítimo na indústria quando realizado com autorização, a própria OpenAI, por exemplo, disponibiliza programas para que desenvolvedores treinem modelos menores com base em seus sistemas.

A controvérsia surge quando a coleta ocorre sem permissão ou por meio da violação de regras de acesso. No caso em questão, a criação massiva de contas falsas teria sido utilizada para contornar os limites de uso impostos pela Anthropic — tanto quantitativos, relacionados ao volume de requisições permitidas por conta, quanto qualitativos, referentes a restrições sobre o tipo de consulta aceita. Isso transforma a prática, segundo a empresa, de uma técnica legítima em uma forma de espionagem industrial.

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Impactos para o mercado

O caso amplia o debate sobre a proteção de modelos de inteligência artificial e da propriedade intelectual em um setor onde os ativos mais valiosos — os pesos dos modelos, os dados de treinamento e as capacidades emergentes dos sistemas — raramente têm proteção jurídica consolidada.

 À medida que empresas investem bilhões no desenvolvimento de sistemas mais avançados, cresce também a preocupação com mecanismos capazes de impedir a reprodução não autorizada dessas tecnologias.

O episódio também evidencia uma fragilidade estrutural do modelo de negócios das empresas de IA: ao oferecer acesso via API ou interface pública, elas ficam intrinsecamente expostas ao risco de extração em larga escala. Medidas como limites de uso, autenticação reforçada e monitoramento de padrões de consumo são barreiras que podem ser contornadas com recursos suficientes, algo que um grupo como a Alibaba certamente possui.

Além da disputa comercial, o episódio reforça as tensões tecnológicas entre Estados Unidos e China, especialmente em torno do desenvolvimento de modelos de IA de última geração. O laboratório Qwen, acusado na denúncia, é justamente um dos projetos que tem avançado mais rapidamente no ranking global de modelos de linguagem, o que torna as acusações ainda mais politicamente sensíveis.

O que se deve acompanhar

Embora as acusações ainda dependam de desdobramentos, inclusive de eventual resposta da Alibaba e de uma possível investigação federal, o episódio mostra que a segurança dos modelos de inteligência artificial se tornou um dos principais desafios estratégicos do setor. 

Questões como controle de acesso, proteção de dados de treinamento e fiscalização do uso de sistemas de IA tendem a ganhar ainda mais relevância à medida que a tecnologia se expande para empresas e consumidores. Nos próximos meses, o caso pode se tornar um marco regulatório para o setor ou um alerta ignorado.

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