Patrocinado por:
59% dos empreendedores consultam a inteligência artificial antes de tomar decisões, aponta estudo (Magnific)
Jornalista
Publicado em 14 de outubro de 2026 às 11h43.
A inteligência artificial ganhou espaço nas decisões de negócios. Segundo um levantamento da Endeavor, 59% dos empreendedores consultam a tecnologia quase sempre antes de decidir. Apesar da frequência, a confiança nas equipes ainda supera a atribuída às ferramentas.
O estudo ouviu 133 empreendedores de 125 empresas e integra a série Inteligência Artificial nas Scale-Ups Brasileiras, desenvolvida pela Endeavor com apoio da Salesforce e da Onfly. O levantamento também reúne entrevistas com lideranças e análises de mentorias. Leia o estudo.
Embora a IA seja consultada com frequência, os empreendedores ainda demonstram maior confiança nas pessoas na hora de decidir. De acordo com a pesquisa, 46% confiam mais na equipe, enquanto 35% mantêm uma posição neutra e 20% confiam mais na inteligência artificial.
Os dados indicam que a tecnologia funciona como apoio ao julgamento humano, e não necessariamente como substituta. Ferramentas de IA podem organizar informações, comparar cenários e levantar hipóteses, mas a decisão final depende do contexto e das consequências envolvidas.
Na prática, um profissional pode usar um assistente de IA para comparar propostas comerciais, resumir relatórios extensos ou identificar riscos em um planejamento. Ainda assim, precisa verificar as informações, avaliar possíveis erros e considerar fatores que a ferramenta talvez não conheça.
Um dos critérios apresentados pela Endeavor é considerar o impacto de um possível erro e a dificuldade de reverter uma decisão antes de delegar uma atividade à tecnologia.
Tarefas operacionais, como organizar documentos, resumir reuniões e estruturar informações, podem ser boas candidatas à automação, desde que os resultados sejam conferidos. Já decisões que envolvem contratação, avaliação de desempenho ou mudanças estratégicas exigem maior supervisão humana.
A pesquisa relata, por exemplo, que uma empresa precisou revisar o uso da IA na análise de currículos após identificar que candidatos qualificados estavam sendo rejeitados. O caso mostra como a velocidade de processamento não garante, por si só, uma avaliação correta.
O levantamento também aponta uma contradição na rotina de quem utiliza inteligência artificial intensamente: o tempo economizado pode ser convertido em mais tarefas, em vez de abrir espaço para planejamento e reflexão.
Entre os empreendedores que usam IA por seis horas ou mais por dia, 71% relatam pressão máxima para acompanhar a tecnologia. Entre aqueles que a utilizam por até duas horas diárias, o índice é de 29%.
A associação não comprova que o uso prolongado de IA cause pressão. Ainda assim, o resultado chama a atenção para um desafio de produtividade: quando executar tarefas fica mais rápido, profissionais e empresas podem ampliar o volume de entregas e projetos, sem reduzir a carga de trabalho.
Para evitar esse efeito, a adoção da tecnologia precisa estar associada a prioridades claras. Automatizar uma atividade não significa necessariamente que seja preciso preencher o tempo liberado com novas demandas.
A aplicação da inteligência artificial no trabalho exige mais do que conhecer ferramentas e escrever comandos. É necessário avaliar a qualidade das respostas, proteger informações confidenciais e entender quando uma atividade requer análise humana.
Uma forma de começar é utilizar a tecnologia para preparar uma primeira versão de um relatório, estruturar perguntas para uma reunião ou sintetizar documentos. Em seguida, o profissional pode verificar os dados, identificar lacunas e complementar a análise com seu conhecimento da área.
A própria rotina de trabalho também precisa reservar espaço para pensar. Se toda tarefa for direcionada à IA e toda economia de tempo resultar em mais entregas, o profissional corre o risco de perder justamente o tempo necessário para avaliar alternativas e tomar decisões melhores.